A “derrama” de Rollemberg

O calote foi consumado. Desta vez, com a desculpa de que “a frustração de receitas impediu a concessão dos reajustes” – sim, é o mesmo discurso de 2015. E a novela não para por aí. Não há qualquer previsão de quando o governador Rodrigo Rollemberg vai quitar a dívida com as 32 categorias de servidores do Distrito Federal.

O governador Rodrigo Rollemberg, mais uma vez, não teve coragem de encarar os líderes sindicais para assumir suas atitudes. O cargo lhe permite substituir a hombridade pela coletiva de imprensa. Na avaliação do presidente do Sindicato dos Médicos (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho, a postura do governador reafirma sua falta de compromisso com a população do Distrito Federal. “Ele não está dando nem o reajuste da inflação aos servidores públicos, que é constitucional e obrigatório. Está no texto da Constituição”, lembra o sindicalista, que critica também a perspectiva de aumento de impostos.

Arrocho salarial com aumento de impostos, para Gutemberg, mostra o quanto é atrasado o governo Rollemberg. “É a derrama dos dias atuais”, afirma Gutemberg, referindo-se às práticas de confisco adotadas pela Coroa Portuguesa contra os que não conseguiam pagar o “quinto” da produção de ouro em Minas Gerais, no período colonial.

Prestação de contas em PowerPoint

Na reunião para qual os representantes dos servidores, o governo Rollemberg demonstrou toda a sua competência administrativa: em uma apresentação de slides de PowerPoint, o secretário de Fazenda, João Antônio Fleury, fez uma demonstração das contas públicas. Mesmo com a competência revelada na confecção de gráficos e tabelas, os cofres públicos do DF deixaram de receber mais de R$ 800 milhões, revelou Fleury. A justificativa para a demora no anúncio do calote foi “a busca de saídas para solucionar o problema”.

Como os demais sindicatos, o SindMédico-DF reunirá os filiados para definir uma postura em relação ao governo, ações imediatas e futuras. A Assembleia Geral Extraordinária da categoria foi marcada para o dia 24, às 19h30.

O governo Rollemberg pressiona os servidores e a população como o Império Português oprimia os colonizados. A revolta iniciada na Inconfidência Mineira cresceu e culminou no movimento pela independência.

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