Operação Ceilândia: HRC vira depósito de doentes

Em visita ao Hospital Regional de Ceilândia, o SindMédico-DF constatou o total abandono em que se encontra a unidade. 

Depois de visitar a UPA de Ceilândia, o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho, e o vice, Carlos Fernando, foram ao Hospital Regional da maior Região Administrativa do Distrito Federal nesta terça-feira (23). E a realidade por lá não é nada boa: corredores lotados de macas, déficit de profissionais, falta de remédios e pacientes aguardando até três dias para serem medicados. Em algumas áreas do hospital, os consultórios foram transformados em salas de internação: um verdadeiro depósito de doentes, sem qualquer estrutura adequada. 
“Faltam clínicos. Há situações em que, já com apenas três médicos, dois são solicitados para a UPA. E isso com 60 pacientes para prescrever. É insuportável trabalhar assim. Porque os médicos não ficam nem lá nem aqui. Enquanto isso, a população fica abandonada”, desabafaram os profissionais. “Hoje, o paciente de Ceilândia fica indo e voltando da UPA para o Hospital e do Hospital para a UPA. É desumano com pessoa uma doente fazer isso”, concluíram.
Na ortopedia, relataram os profissionais do HRC, há quem espere até 30 dias para conseguir uma cirurgia. Há apenas um auxiliar para toda a ortopedia e, em alguns dias, não há chefe de equipe. “De alguns anos para cá, só piora. Nunca vimos o HRC assim”, relataram os profissionais ao presidente do SindMédico-DF.
Outro problema relatado são os antibióticos: na maioria das vezes, o paciente tem de interromper o tratamento, pois os remédios acabam antes do prazo necessário. “Em um momento como esse, em que o DF enfrenta o problema das bactérias multirresistentes, isso não poderia acontecer de forma alguma”, salientou Gutemberg Fialho em conversa com a equipe do HRC.
A falta de médicos, enfermeiros e até técnicos de enfermagem no HRC chega a tal ponto que, para não deixar a população desassistida, servidores da administração atendem os pacientes. “Não tem médico suficiente. Não adianta. O caos só aumenta a cada dia. E, é importante lembrar, o HRC não é referência apenas para a Ceilândia. Todos os dias chegam aqui pacientes do entorno, especialmente de Águas Lindas”, destacou a equipe do hospital.
Na ginecologia, mães que acabam de dar à luz são obrigadas a se vestir com um pano de TNT porque não há camisolas adequadas. Há dias em que é necessário fazer partos nos próprios consultórios. “Além de material, falta estrutura física inclusive. É muito triste atender as pessoas nessa situação”, lamentam os profissionais do HRC.
“O quadro que vimos aqui é deprimente. Um total descaso com a população do DF. Por isso, mais uma vez, cobramos soluções da Secretaria de Saúde. Queremos saber o motivo de nada ser feito. Queremos mudanças. Não é possível que o hospital da maior Região Administrativa do DF esteja nessa situação caótica”, afirmou o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.
Ainda nesta semana, o SindMédico-DF voltará ao HRC para ver se algo foi feito pela gestão da Saúde para melhorar as condições de atendimento na unidade.
O SindMédico-DF está de olho no Hospital Regional de Ceilândia!

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