Assistência psiquiátrica fora de compasso

Representantes da SES-DF, de órgãos de controle e da sociedade civil serão convidados a discutir problemas da área no SindMédico-DF.


O presidente e o vice-presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, Carlos Fernando, receberam psiquiatras da rede pública de saúde o Distrito Federal e autoridades para discutir os problemas que surgiram em decorrência de mudanças em curso na assistência psiquiátrica no DF.

Entre os problemas elencados, estão a desarticulação do Instituto de Saúde Mental e o atendimento psiquiátrico a crianças e adolescentes por psiquiatra geral. Também foi apontado o fechamento de leitos no Hospital de Base do DF por falta de profissionais.

No Hospital Materno Infantil de Brasília a situação é bastante complicada com falta de profissionais e instalações adequadas para atendimento de crianças portadoras de transtornos mentais e de gestantes dependentes químicas. Não há área de isolamento para atendimento de pacientes em surto e os técnicos não são treinados para atuar em situações nas quais é necessária a contenção.

Também nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) há dificuldades estruturais para atendimento de gestantes.

Também está sendo imposto aos profissionais da especialidade, nas diversas unidades de saúde da cidade, que elaborem pareceres durante o horário de atendimento ambulatorial – o que tanto prejudica o atendimento aos pacientes quanto a qualidade dos pareceres.

Os representantes do Conselho Federal e Conselho Regional de Medicina enfatizaram que o psiquiatra geral pode ser alvo de denúncia caso o atendimento a criança ou adolescente seja insatisfatório. Também foi lembrada a necessidade de estabelecer a responsabilidade de médicos gestores em relação aos desmandos na assistência psiquiátrica. Uma consulta sobre o assunto, bem como denúncia das situações apresentadas na reunião seriam encaminhadas ao CRM-DF.

Presente à reunião, o coordenador da política de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro Júnior, afirmou que se reuniu com a chefia da área na Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal para discutir a adequação do Plano Diretor de Saúde Mental do Distrito Federal às determinações da Política Nacional de Atenção à Saúde Mental. Para os presentes, as medidas adotadas pela atual gestão colidem frontalmente com diretrizes de fortalecimento das unidades de atendimento psiquiátrico e das ações na área.

O representante do SindMédico-DF no Conselho de Saúde do Distrito Federal (CSDF), Tiago Neiva, informou que o Plano Diretor de Saúde Mental do DF não foi sequer submetido à avaliação dos conselheiros, apesar de já figurar na página da SES-DF, contendo os nomes até de quem discordou do resultado do documento elaborado.

Também compareceram o presidente eleito da Associação Psiquiátrica da América Latina, Antônio Geraldo da Silva, conselheiros Salomão Rodrigues e Rosylane Rocha, do Conselho Federal de Medicina (CFM), presidente da Federação Nacional dos Médicos, Jorge Darze, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina, Thiago Blanco.

Nova reunião será realizada, para a qual serão convidados representantes da Secretaria de Estado de Saúde do DF, dos órgãos de controle e entidades da sociedade civil que acompanham as questões da saúde.

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