No HRT, médica trabalha com dor

Faltam profissionais e equipamentos quebrados precarizam atendimento.

O programa Sindicato Itinerante, Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), recomeçou na segunda-feira (5), quando o presidente da entidade, Dr. Gutemberg, e o vice-presidente, Carlos Fernando, visitaram o pronto-socorro do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), onde verificaram situações adversas de trabalho e assistência à população agravados pela insegurança, em função da greve dos vigilantes.

Segundo relatos, sem controle devido de acesso, pessoas andam a esmo pela unidade de saúde. Algumas adotando comportamento agressivo. Isso ocorre nas áreas de espera e nos corredores apinhados de pacientes sobre macas.

Na clínica médica, um único médico prestava assistência a sete pacientes internados no box de emergência lotado. Na falta de lugar, um intubado ficava na sala de atendimento da cirurgia, enquanto outros pacientes eram atendidos ali. Pacientes graves, segundo relatos, têm sido internados em cadeiras de rodas, pela falta de leitos.

Na ortopedia foi relatada demora para obtenção de próteses de ombro, quadril e joelho, bem como de fixadores externos, o que tem reduzido a quantidade de pacientes que recebem esses materiais. Os demais esperam, prolongando o tempo de internação, desenvolvendo sequelas, aumentando custos na Saúde e despesas no sistema previdenciário.

O novo modelo de atendimento definido pela Portaria 386/17, pelo qual o secretário de Saúde redefiniu o funcionamento da rede de atendimento de emergência tem causado confusão e transtornos. A classificação de risco está encaminhando pacientes da clínica médica para os cirurgiões gerais. Esse assunto foi pauta de reuniões no sindicato e motivou um questionamento formal, feito pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-DF), à coordenação da área na SES.

“Com a divisão estabelecida, se há três profissionais no plantão, dois atendem a porta e outro cuida da internação. Se são dois, é um em cada lugar. Isso engessa o atendimento, em vez de criar maior agilidade. É uma medida a ser adotada em uma situação de quantidade de profissionais ideal, o que não é nosso caso”, aponta Dr. Gutemberg.

Na pediatria, apenas duas profissionais estavam no plantão. Uma delas devia estar afastada por motivo de doença, mas trabalhava mesmo sofrendo dores. Uma atendia a porta e a outra os internados. O ideal seria haver dois médicos efetivos na porta e um na retaguarda, mas, em geral, os plantões fecham com um residente e dois efetivos, quando não tem apenas dois especialistas da área.

“Disseram que a unidade perdeu 240 horas de trabalho médico, por remoção, retratação de carga horária de trabalho e porque um staff teve que assumir cargo de responsabilidade técnica”, relata o vice-presidente do SindMédico-DF. “Em função dessa reorganização do fluxo de trabalho, o atendimento aos pacientes está sendo prejudicado”, afirma. A enfermagem também sofre com sobrecarga de trabalho.

Outro problema decorrente de medidas de reorganização dos serviços prejudica o atendimento da pediatria, como foi exposto aos representantes do SindMédico: crianças atendidas por profissionais sem formação em pediatria, no Saúde da Família estão chagando às emergências com situações que poderiam ter sido resolvidas nos postos de saúde se tivessem sido atendidos por profissionais com a formação adequada. “Com um atendimento incorreto, nos contaram que muitos estão chegando na emergência do HRT com sua situação agravada”, explica Dr. Gutemberg.

Na ginecologia essa situação se repete. Além disso, a classificação de risco não funciona e as cirurgias eletivas têm sido poucas. O tempo de trabalho dos especialistas da área poderia ser melhor utilizado, com maior organização dos serviços.

Na cardiologia, que deveria ser referência, não se consegue fazer exames de cateterismo cardíaco e ecocardiograma. O aparelho de escopia, que devia oferecer maior precisão em diagnósticos e cirurgias, está quebrado há um ano. As condições de trabalho adversas da cardiologia do HRT já foram objeto de denúncia ao CRM.

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