Superlotação e descaso no HRAN

Na última segunda-feira (14), presidente e vice do SindMédico-DF visitam o hospital 

Superlotação, déficit de médicos e, em consequência, até mortes evitáveis no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Essa é a situação da unidade que, após o Hospital de Base ser transformado em instituto, está com a demanda bem acima da média. Isso tudo sem tomógrafo, que está quebrado, e materiais básicos, como soro fisiológico. 

Em visita ao hospital na última segunda-feira (14), o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, e o vice, Carlos Fernando, conversaram com servidores da unidade e viram, de perto, o cenário de abandono do local. Apenas na clínica médica, havia 95 pacientes internados. Quantidade desproporcional para o número de médicos na escala: apenas dois. 

Por conta do déficit de médicos, relataram os profissionais, muitas vezes, os pacientes ficam mais de 24 horas sem prescrição. “A demanda é muito grande. A gente se desdobra para atender aqui e ali, mas é impossível. E isso tudo, com a porta aberta. Não para de chegar gente. Os novatos, recém-contratados da secretaria de Saúde, não querem ficar aqui”, relatou uma servidora. 

Ainda segundo os profissionais da unidade, é comum agora que pacientes oncológicos sejam encaminhados para lá. “O Base, depois que virou instituto, não recebe mais pacientes com câncer. Eles simplesmente não conseguem acesso à rede. E, aqui, a gente faz o que é possível. Mas, não somos referência”, relatam. 

O número de pacientes psiquiátricos que chegam ao Hran também aumenta a lentidão nos atendimentos. “E a gente não recebe, de cima, uma indicação do que é prioridade ou não. Tem dias, que é a porta. Em outros, não”, diz uma servidora. No pronto-socorro, por exemplo, não há mais vagas. O box estava superlotado no dia da visita. 

“Entra ano, sai ano e os problemas continuam os mesmos ou até se agravam. É evidente que há uma intenção de acabar com o SUS-DF. E é por isso que fazemos essas visitas, essas constatações. Para que o poder público esteja atento e cobre do governo uma ação efetiva, que mude esse cenário. Um cenário que não é apenas do Hran, infelizmente. Mas de toda a saúde pública do DF”, aponta Carlos Fernando.

Há ainda, como em toda a rede, problemas com o encaminhamento de pacientes para outros locais, já que a quantidade de ambulâncias do SAMU não é suficiente para toda a demanda. E, de acordo com as narrações, a própria desorganização da rede, que insiste em enviar pedidos e resolver casos via whatsapp, não ajuda em nada no cotidiano daqueles que estão na linha de frente do Hran.

“Neste ano, em que as coisas podem e devem ser mudadas a partir de outubro, acho que todos nós, representantes de classes ou não, devemos estar conscientes de que recuperar o SUS-DF é um dever de todos. O que vimos hoje, e assistimos ao longo de todos esses anos, não é normal. Querem, de fato, acabar com a saúde pública: sucateando a estrutura e adoecendo os profissionais. Mas, não podemos e não vamos deixar isso se repetir”, afirma Dr. Gutemberg.

 

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