Novidade no cardápio da Saúde é a vaca fria

"Equilíbrio financeiro e fiscal" do governo do Distrito Federal não impede falta de alimentação hospitalar. De quem é a culpa desta vez?

Depois de um dia complicado, com unidades básicas de saúde fechados em função da greve dos caminhoneiros – o que pouco sentido fez para a parte da humanidade que não atua na gestão da Saúde do Distrito Federal – os servidores do Hospital Regional de Planaltina (HRP) recebem uma mensagem da direção do hospital: “Informo que a partir de amanhã meio dia a Sanoli só irá fornecer refeição aos pacientes . Servidores e acompanhantes não terão direito. Peço ampla divulgação e organização nos horários de saída dos servidores plantonistas para alimentação, garantindo a assistência ao usuário.”

Ao desavisado pode parecer que é mais um efeito do desabastecimento generalizado causado pela paralisação nacional no transporte de cargas. Mas não é. Como ocorreu ao longo do atual governo, a Secretaria de Estado de Saúde deixou de pagar os fornecedores. Segundo a direção da Sanoli, o governo do Distrito Federal deve mais de R$ 56 milhões à empresa. Os pagamentos não são feitos desde março.

Apesar de as finanças supostamente estarem em ordem, ao custo do não cumprimento de obrigações e compromissos (como o pagamento dos reajustes dos servidores públicos e reposição inflacionária), vive-se o mesmo drama do início do governo. “Estamos de volta à vaca fria. Vamos ver qual é a desculpa desta vez. Jogar a culpa na greve dos caminhoneiros seria abusar da boa vontade da população”, critica o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, Dr. Gutemberg.

A questão da alimentação hospitalar foi um dos exemplos citados pelo secretário Humberto Fonseca, em reunião com representantes do Tribunal de Contas da União (TCU), na qual se queixou do controle do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) sobre os processos e procedimentos administrativos na Secretaria de Saúde. No entanto, superadas as exigências feitas pelo órgão de controle na licitação do fornecimento de alimentação hospitalar, pacientes, acompanhantes da saúde voltam a passar dificuldades.

“Se havendo controle externo, eles não cumprem as obrigações, o que esperar se o Ministério Público e o Tribunal de Contas afrouxarem as rédeas”, questiona o vice-presidente do SindMédico-DF, Carlos Fernando. Em carta divulgada pela imprensa, a Sanoli registrou a dificuldade em continuar obtendo produtos no mercado: “...esvaiu-se igualmente nosso capital junto aos fornecedores, a credibilidade”. Assim, o desgastado governo Rollemberg arrasta para o poço do descrédito até quem mantém com ele relação meramente contratual.

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