Fim da ruptura da medicina com a política de saúde

Em reunião com lideranças no CFM, futuro ministro Luiz Henrique Mandetta convoca médicos para retomarem participação em câmaras e conselhos do MS

O deputado Luiz Henrique Mandetta, que deixa a Câmara dos Deputados e assumirá o Ministério da Saúde no governo Bolsonaro, participou de uma reunião com representantes de entidades médicas, no auditório do Conselho Federal de Medicina (CFM), na tarde desta quarta-feira, 20. Segunda reunião da qual o futuro ministro participa fora do ambiente da equipe de transição de governo, o encontro teve peso político que Mandetta fez questão de enfatizar.

A primeira reunião ocorreu, dia 13, no Instituto do Coração (Incor) e na Universidade de São Paulo (USP), para, nas palavras de Mandetta, simbolizar os hospitais e universidades públicas. Aos presentes deixou o pedido de que levassem a todos os demais, desde os que estão no primeiro dia da formação profissional um convite: “o futuro ministro da Saúde veio convidá-los a transformarmos e tornarmos realidade o nosso Sistema Único de Saúde.”

A deferência foi bem recebida pelos presentes, entre os quais estavam o presidente e o vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Dr. Gutemberg e Carlos Fernando, e o diretor adjunto Antonio Geraldo da Silva. “O futuro ministro acena com o início de um novo tempo na gestão da saúde pública brasileira, o que é muito bem-vindo”, afirma Dr. Gutemberg.

Superação das rupturas

Na proposta de reorganização do Ministério da Saúde, afirmou o futuro ministro, ele quer a presença dos médicos em conselhos que formularão propostas de ação e em ações emergenciais que forem necessárias. “Tudo bem que não se faça saúde só com médicos. Agora, encontrar o Ministério da Saúde sem médicos, aí é que não se vai fazer mesmo”, afirmou Mandetta.

A referência foi ao rompimento das entidades médicas com o Ministério da Saúde, ocorrido em 2013, no governo Dilma Rousseff , depois da quebra das promessas e acordos feitos pelo então ministro Alexandre Padilha, vetos à Lei do Ato Médico e ameaça da então presidente da República, Dilma Rousseff, de substituição do Conselho Federal de Medicina por uma agência reguladora da atividade médica, após o lançamento do Programa Mais Médicos. Naquele momento, os médicos abriram mão da participação no Conselho Nacional de Saúde e nas câmaras e comissões técnicas do governo nas áreas de saúde e educação.

“Houve uma ruptura quase absoluta entre a medicina e a política pública de saúde... só servíamos para estar presentes e legitimar tomadas de decisões que já estavam prontas”, comentou ao convocar a classe a voltar ao cenário das decisões, onde, garantiu, ideologia não vai se sobrepor ao conhecimento técnico e científico.

Compromissos e desafios

Os desafios postos à frente, segundo Mandetta, são a rediscussão da formação e avaliação do médico na Academia e durante sua vida profissional; a adequação da oferta de uma medicina de qualidade no cenário de envelhecimento da população e do aumento dos custos pela incorporação das novas tecnologias; levar e fixar médicos às localidades desassistidas, que ele chama de “Brasil profundo”.

“Diferente do que ocorreu no passado recente, o ministro Mandetta falou aos médicos como alguém que se comprometeu conosco, alguém esteve lutando ao nosso lado no Congresso Nacional contra tudo o que vimos de errado na condução da Saúde no Brasil”, afirma Carlos Fernando.

O futuro ministro reafirmou essa aliança e, por causa dela, afirmou, o bom ou mau desempenho do Ministério da Saúde em sua gestão será creditado não só a ele, mas à medicina brasileira.

Confira os melhores momentos do discurso do futuro ministro:

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