O Instituto Médico Legal (IML) do Distrito Federal conta, hoje, com 35 peritos médicos-legistas. De 65 aprovados no último concurso, sete tomaram posse. Até 2018, mais de 20 devem se aposentar. A situação é crítica.

Possibilidade de transferência de cirurgia de coluna do Hospital do Paranoá preocupa profissionais.

Secretaria de Saúde não resolve problema da neonatologia em Santa Maria. Mesmo que assumam todos os profissionais aprovados em concurso para contratação temporária as escalas não vão fechar.

Agora, a Confederação representa, em todo o território nacional, os interesses de mais de 400 mil médicos. O SindMédico-DF participou na criação da entidade.

Não perca a última edição da Revista Médico, que destaca a terceirização da saúde pública por meio de Organizações Sociais.

O caos na saúde é também um desafio para a Defensoria Pública do Distrito FederalEsse é o tema da TV SindMédico desta semana, como chefe do Núcleo de Saúde do órgão, Celestino Chupel.

“Acho que a melhor forma de se fazer gestão é com as portas abertas. Não deixem de trazer soluções ao HMIB”, pediu. “Hoje, saio com a cabeça erguida. Sei que dei o melhor”, afirmou Rodolfo Paulo de Souza em sua despedida, nesta segunda-feira (13).

 

Anunciada pela imprensa no final da última semana, a exoneração do diretor do Hospital Materno Infantil (HMIB), Rodolfo Alves Paulo de Souza, foi motivo para homenagem organizada pelos servidores daquela unidade de saúde, na despedida realizada na manhã desta segunda-feira (13), no auditório do hospital.

A publicação da exoneração ainda não ocorreu, mas está prevista para as próximas horas. Na imprensa e nas mídias sociais foi amplamente divulgado que o secretário de Saúde do Distrito Federal, Humberto Fonseca, não gostou nada da postura de Rodolfo durante as “comemorações” dos 50 anos do HMIB. E por isso, teria mandado avisar o médico de sua exoneração por terceiros.

A postura crítica em relação à gestão da saúde seria o motivo da saída de Rodolfo. Em novembro do ano passado, quando o hospital completou 50 anos, o gestor participou de uma ação chamada “Grande abraço ao HMIB”. A ideia era chamar a atenção do governo e fazer com que a unidade voltasse a oferecer plenamente os serviços para a qual foi idealizada.

Em outras circunstâncias, como na repercussão pela imprensa da falta de fraldas para os pacientes da rede pública de saúde, ele também desagradou os superiores apontando que o desabastecimento não podia ser imputado aos gestores diretos, mas a uma série de circunstâncias que envolvem toda a cadeia da gestão da Secretaria de Saúde.

Em seu discurso de despedida, Rodolfo salientou a importância de manter as portas abertas a novas ideias, debates e, principalmente, ações que possam trazer o antigo HMIB – que um dia foi referência no atendimento materno infantil no Centro-Oeste – de volta. “Acho que a melhor forma de se fazer gestão é com as portas abertas. Não deixem de trazer soluções ao HMIB”, pediu. “Hoje, saio com a cabeça erguida. Sei que dei o melhor”, destacou.

Rodolfo falou ainda da importância dos gestores se relacionarem bem com os sindicatos. “São organizações para fazerem ouvir a voz dos servidores de uma forma mais forte. Hoje, são poucos os gestores, talvez só eu, que querem falar com os sindicatos. Porém, nenhuma dessas entidades nunca me disse algum absurdo”, afirmou, que concluiu o discurso agradecendo a presença do presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho.

Política é necessária

Convidado a sentar-se à mesa ao lado de Rodolfo, o presidente do SindMédico-DF expressou preocupação com o nome a ser indicado para a vaga deixada por Rodolfo. “Se vier um forasteiro, sem compromisso algum com a saúde, vão enterrar de vez o HMIB”, alertou Gutemberg. “Um exemplo é o que estão fazendo com a atenção primária. Costumo dizer que, ou muda o secretário de Saúde ou a saúde acaba. Mas, não é ele. É o governo”, afirmou também.

Por isso, continuou o presidente do SindMédico-DF, é preciso que haja preocupação com política dentro dos hospitais e unidades de saúde. “Sem isso, a gente não avança. Temos aqui um hospital que está sendo destruído e uma gestão cheia de forasteiros, sem compromisso algum”, disse, sob aplausos.

Casos concretos de mortes nos hospitais por motivo de desabastecimento ou de infraestrutura devem ser relatados ao SindMédico-DF. Dados estatísticos indicam o aumento dos óbitos, mas Ministério Público precisa de informações mais específicas.

O resultado do Exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) de 2016, divulgado nesta semana, não é nada animador. Mais da metade dos recém-formados em escolas médicas do Estado de São Paulo foi reprovada no teste. O conselho avaliou 2.677 participantes. Destes, 56,4% (1.511) sequer atingiram a nota mínima. Na prova, havia 120 questões.

As notas do exame acendem a luz vermelha para questão da abertura descontrolada de novas escolas médicas. Segundo dados levantados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), por exemplo, em apenas dois anos, entre 2015 e 2016, 35 novas faculdades medicina foram inauguradas no Brasil. Hoje, no total, o país possui 271. São Paulo concentra a maioria delas: 44.

Assista, abaixo, a matéria completa da Globo sobre o resultado do exame:

 

Hoje, o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, fala sobre os problemas do Hospital Regional de Santa Maria e do Gama; também responde perguntas sobre gratificações, sobre falta de medicamentos e insumos, racionamento de água nos hospitais e uma serie de outras questões que afetam o dia a dia dos médicos e pacientes da saúde pública do DF. Não perca!

 

O presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho, esteve, na tarde dessa segunda-feira (6), nos hospitais regionais de Santa Maria e do Gama para verificar as condições de funcionamento dos serviços de obstetrícia e neonatologia. Também participaram da visita o presidente do Conselho Regional de Medicina, Jairo Zapata, representantes da Defensoria Pública do Distrito Federal e da Comissão de Bioética, Biotecnologia e Biodireito da OAB-DF.

Por conta do déficit de pediatras e de neonatologistas, o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) suspendeu a realização de partos em janeiro deste ano. E o problema acabou se tornando uma bola de neve, já que o Hospital Regional do Gama (HRG) está atendendo, agora, toda a demanda da Região Sul do DF.

Agora, a reabertura do Centro Obstétrico do HRSM – prevista para o próximo dia 13 – depende da contratação de novos médicos neonatologistas. No entanto, se depender do interesse dos inscritos, isso pode não ocorrer. Foram ofertadas 124 vagas de 20 horas semanais para as quais se inscreveram apenas seis candidatos e cinco apresentaram documento para a posse.

Em ambos os hospitais, foi constatado o que os médicos pediatras e neonatologistas já haviam relatado em reunião na sede do SindMédico-DF, no dia 1º de fevereiro: os pacientes estão desassistidos. Com o déficit de profissionais e até mesmo insumos e equipamentos necessários, o HRG acaba não conseguindo atender toda a demanda.

Além disso, em teoria, os partos de alto risco deveriam ser assumidos pelo Hospital Universitário de Brasília (HUB) e o Hospital Regional da Asa Norte deveria assumir parte dos habituais. Mas, isso não ocorreu na prática.

“O problema que ocorre nos hospitais do Gama e de Santa Maria não é novo. Mais uma vez, deixaram chegar a uma situação limite para tomar uma decisão paliativa, ineficaz e insatisfatória para os profissionais e para os pacientes”, afirmou o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.

Leia, no link abaixo, a matéria sobre a reunião do dia 1º de fevereiro que levou o SindMédico-DF a organizar a visita aos hospitais:

http://bit.ly/2jYEFtD

A reabertura do Centro Obstétrico do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) prevista para o próximo dia 13 depende da contratação de novos médicos neonatologistas. A perspectiva parece vã, dado o desinteresse de candidatos inscritos no processo seletivo simplificado para contratação de médicos anunciado em novembro passado: a oferta foi de 124 vagas de 20 horas semanais para as quais se inscreveram apenas cinco candidatos, cuja posse ainda não é certa.
A suspensão dos partos no HRSM provoca maior desorganização na rede assistencial e sobrecarrega os demais hospitais, sobretudo o Hospital Regional do Gama (HRG), o único outro localizado na Região Sul do DF. Presentes em reunião realizada no auditório do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), na noite de 1º de fevereiro, obstetras e neonatologias dos dois e de outros hospitais do DF, discutiram os problemas que se intensificaram.
O diretor do HRSM, uma representante da direção do HRG, o presidente do Conselho Regional de Medicina, Jairo Zapata e representantes da Defensoria Pública e da Ordem dos Advogados ouviram os relatos. O Ministério Público não enviou representantes. E o secretário de Saúde, Humberto Fonseca, apesar de ter sido convidado com antecedência, nem representante mandou.

As origens do problema
Ano a ano, cai o número de profissionais das áreas de neonatologia, gineco-obstetrícia e pediatria (entre outras). O HRG já chegou a realizar 900 partos de alto risco e risco habitual por mês. Desde março passado ficou com a capacidade reduzia a 300 partos mensais de risco habitual.
Quando inaugurado, há nove anos, o Hospital de Santa Maria diminuiu a demanda pelo HRG. A aventura com a terceirização com a Real Sociedade Espanhola de Benemerência e a posterior retomada da gestão da unidade, em 2011, deixaram o HRSM sem corpo clínico e, por isso, a Intensecare foi contratada para atuar na sala de parto e demais serviços de neonatologia.
Em julho de 2015, por falta de pagamento pela Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), a empresa deixou de prestar atendimento na sala de parto e o serviço foi suspenso sendo retomado somente em março de 2016, com a transferência de um médico, 37 profissionais da área de enfermagem (especializados em assistência neonatal) e equipamentos do Gama.
O HRSM ficou responsável pelos partos de alto risco (gestação de até 37 semanas), com capacidade limitada a 350 por mês, e o HRG com partos normais. A escala da neonatologia em Santa Maria não fecha mais e, por isso o serviço foi novamente suspenso. O Gama perdeu toda a condição de assumir a demanda.

Paliativo insuficiente para profissionais e pacientes
“As pacientes voltaram a bater de porta em porta em busca de atendimento. Já é ruim quando têm carro, mas chegar a ir de ônibus, sem saber em que porta bater”, queixou-se um dos médicos presentes. Em teoria os partos de alto risco deveriam ser assumidos pelo Hospital Universitário de Brasília (HUB) e o Hospital Regional da Asa Norte deveria assumir parte dos habituais. Mas essa expectativa não se concretizou plenamente.
Tampouco se concretizou, relataram os presentes, o reforço de um gineco-obstetra do HRSM que seria deslocado para o HRG, porque as escalas de plantão de Santa Maria não têm permitido a disponibilização.
E mesmo com o reforço na obstetrícia resta a questão do cuidado com os bebês prematuros. “Quem vai se responsabilizar pelos prematuros”, questionou um dos presentes, o qual também destacou que o Hospital Universitário não tem como atuar de porta aberta.
Um dos médicos presentes apontou que, no ano passado, houve diversos óbitos e vários bebês ficaram com sequelas por falta de assistência no tempo ideal, em função da superlotação no HRG. O mesmo, afirmaram outros, ocorreu no HRSM. “Pacientes com dilatação estão esperando a realização do parto sentadas em um banco. Logo depois do parto estão sendo tiradas do leito e voltam para o banco para que outra possa ser atendida”, contou.

Dificuldades não param de surgir
O HRSM conta com 15 leitos de Unidade de Cuidados Intermediários (UCIN) e 50 leitos no Alojamento Compartilhado (ALCON). Na falta de neonatologistas em número suficiente, pediatras ajudam a preencher a escala e, por vezes, apenas um profissional fica responsável pelas duas unidades. Com o Centro Obstétrico a exigência fica ainda maior.
“É grave o fato de pediatras dos centros de saúde, sem experiência de atuação nas emergências e nesses setores, serem desviados para atuar nessa situação”, destacou a diretora de Imprensa e Divulgação do SindMédico-DF, Adriana Graziano, que também é pediatra.
Há uma queixa generalizada pelo aumento de processos contra médicos em função da incapacidade administrativa que prolonga o caos nas duas unidades. A indefinição da gestão também provoca atritos entre as equipes dos hospitais e entre as especialidades.
Enquanto profissionais e gestores locais se desdobram para suprir as necessidades dos pacientes, a gestão central, a começar do secretário de Saúde, simplesmente se cala e ignora as reclamações das equipes e da população.
“Não somos favoráveis ao fechamento de serviços, somos favoráveis a oferecer condições de trabalho aos nossos servidores e de assistência aos pacientes”, enfatizou o diretor do HRSM, Igor Dourado. A representante da direção do HRSM, Kenisse Araújo Dourado, também compareceu e deu explicações sobre o plano de contingenciamento criado para contornar a crise atual.

OAB e Defensoria Pública podem judicializar o caso
Causou estranheza ao coordenador do Núcleo da Saúde da Defensoria Pública, Celestino Chupel, e ao presidente da Comissão de Bioética, Biotecnologia e Biodireito da OAB-DF, Felipe Bayma, que fossem os dois diretores e não o secretário Humberto Fonseca, algum subsecretário ou os coordenadores de especialidade que tenham comparecido para explicar a situação e ouvir as demandas. “Estamos em um ponto que pouco resta o que fazer além de mover uma ação de responsabilidade civil contra os gestores”, afirmou Bayma. “A situação chegou ao insustentável”, desabafou Celestino.
O novo presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-DF), Jairo Zapata, fez críticas ao governo e orientou os presentes a encaminhar denúncias que podem, explicou, levar a uma interdição ética, caso fique comprovado não haver condições para o exercício da atividade médica nas unidades de saúde.
O presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, cobrou dos diretores presentes a disponibilização de livro de ocorrências e incentivou os médicos a fazerem o registro dos fatos e situações adversas enfrentadas no dia a dia das unidades de saúde.
Foi decidido que uma equipe com representantes do Sindicato, do CRM-DF, da OAB-DF e da Defensoria Pública visitará as duas unidades na próxima semana e que o grupo vai pedir audiência com o secretário de Saúde. A OAB e a Defensoria Pública vão estudar conjuntamente a possibilidade de mover uma ação civil pública contra eles.

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