No dia 10 de fevereiro, o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Dr. Gutemberg Fialho, recebeu, na sede do Sindicato, a diretora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) do Distrito Federal, Lorhana Martins Moraes, e integrantes do grupo que dirige o serviço.

Na conversa, foram abordados os graves problemas enfrentados pelo SAMU-DF. O mais grave é a escassez de pessoal:

Faltam condutores socorristas, médicos e auxiliares de enfermagem, tanto no serviço de socorro quanto no serviço de regulação (atendimento telefônico).

No serviço de regulação, que deveria ter sete médicos de dia e cinco à noite, muitas vezes operam apenas com quatro médicos por turno, apesar da tentativa de manter seis. Aproximadamente 60% das ocorrências que chegam à central de atendimento pelo telefone 192 não são traumas, mas sim casos clínicos, como derrames e ataques cardíacos, entre outros.

A sobrecarga de trabalho tem provocado adoecimento e aumento do absenteísmo — que é maior na regulação do que no socorro. Além do atendimento telefônico à população, os profissionais nessa atividade realizam trabalho de retaguarda, como remoção de pacientes e busca de vagas em unidades de saúde, tanto das demandas que chegam ao SAMU quanto dos socorristas do Corpo de Bombeiros.

Serviço ineficiente de manutenção de ambulâncias

Das 30 ambulâncias existentes atualmente, 10 estão paradas, à espera de conserto. As ambulâncias com problemas de manutenção demoram até um mês para serem consertadas devido ao contrato de manutenção.

Segundo Lorhana, está em andamento a elaboração de um termo aditivo com a finalidade de tornar mais ágil o atendimento aos veículos do SAMU. Ela disse também que há a expectativa de receber 15 novas ambulâncias do Ministério da Saúde em março.

A falta de profissionais e de recursos afeta negativamente o desempenho do SAMU. Segundo informou o chefe do Núcleo de Educação e Pesquisa (NEP) do Samu, Danilo Guimarães, cerca de 50% das ocorrências telefônicas atendidas pelo SAMU-DF não chegam a receber socorro presencial pela falta de estrutura.

Metade dos pedidos de socorro não é atendida

Em 2025, houve 724.865 ocorrências atendidas. Isso significa que esse mesmo número de pedidos de socorro não pôde ser atendido no período. O serviço de regulação lida com cerca de 2.500 atendimentos diários.

Entre as demandas da direção do SAMU está a criação de um quadro próprio de servidores e a realização de concurso para provimento dos postos de trabalho vagos, a fim de blindar o serviço da falta crônica de profissionais na Secretaria de Saúde do DF.

Atualmente, as escalas são preenchidas por contratos temporários de um ano que não são renovados, resultando na perda de profissionais já treinados na regulação.

“Vamos levar as demandas do SAMU aos órgãos competentes e envidar esforços para que seja prestado um melhor atendimento às necessidades da população, com condições adequadas de trabalho para os médicos e demais profissionais de saúde”, garante o presidente do SindMédico-DF.

Com a diferença de que o transporte intra-hospitalar de pacientes deixou de recair sobre o SAMU, as situações apontadas são as mesmas entrentadas pelo ex-diretor Dr. Victor Leonardo Arimatea Queiroz. Em 2023, O SindMédico-DF reuniu as entidades médicas e a direção do SAMU para expor os problemas. A Secretaria de Saúde e os órgãos de controle foram notificados e foi a partir dali que se pressionou pela contratação de uma empresa que assumisse o transporte de pacientes entre as unidades públicas de saúde. “Essa medida foi um avanço que conseguimos obter, mas não resolve a situação da falta de profissionais, ambulâncias e condições adequadas de trabalho. Essa é uma necessidade urgente no SAMU e em todas as unidades públicas de saúde do DF”, enfatiza Dr. Gutemberg.

Leia a matéria sobre o caos no SAMU denunciado há três anos pelo Sindicato: