A exata dimensão do escândalo do Banco Master, de tão grande, é difícil de entender – tanto pelo valor quanto pelo emaranhado de ramificações. Mas o prejuízo pode ser tão grande quanto todo o gasto do governo federal com a pandemia da Covid-19. Só que ali era doença, algo que ninguém escolheu. Aqui, é corrupção. É ganância. É um bando de gente que decidiu tirar dinheiro do povo para encher o próprio bolso. E o pior: muita gente envolvida continua impune.
Depois de ver no noticiário os números do escândalo crescerem dia após dia, até um prêmio acumulado da Mega-Sena parece trocado. Eu nunca ouvi falar de tanto bilhão na minha vida. Para nós, trabalhadores e pequenos empresários, R$ 1 bilhão sempre ficou lá na pontinha do imaginário, só um sonho. Trilhão até extrapola as fronteiras da imaginação.
Eu já achava um absurdo o rombo causado ao BRB nesse caso do Banco Master – qualquer fosse o valor já seria inaceitável. Mas fiquei de queixo caído com a entrevista do diretor da Federação dos Policiais Federais Flávio Meneguelli ao Correio Braziliense, no dia 18 de maio. Ele afirmou que o rombo no BRB chega a R$ 48 bilhões – outras estimativas apontam que pode chegar a R$ 60 bilhões. Mais assustador que isso, Meneguelli apontou que o prejuízo total das fraudes do Banco Master causado à economia brasileira pode chegar a R$ 500 bilhões, ou seja, meio trilhão de Reais.
Olhem os escândalos: O orçamento do DF para este ano é de R$ 74,4 bilhões. Esse rombo de R$ 48 bilhões no BRB equivale a 64% de todo o dinheiro que a cidade tem para funcionar durante um ano inteiro. São dois terços do orçamento do DF para este ano!
Quando se olha para ao prejuízo global é ainda mais assustador: em 2025, apenas três países da América Latina tiveram um Produto Interno Bruto (PIB) maior do que meio trilhão de Reais: Brasil, México e Argentina. Os outros 41 países da América Latina e do Caribe nem chegaram perto desse valor – esses dados são do Fundo Monetário Internacional. E aí, como é que alguém pode dizer que está tudo bem vendo meio trilhão virar fumaça?
O tal “conglomerado Master” não ficou só no mundo dos bancos. O grupo chegou a ter participação em mais de 2.500 empresas de todo tipo espalhadas pelo Brasil e Deus sabe onde mais — talvez até no inferno, porque não é possível. O esquema de Daniel Vorcaro se meteu em tudo: de cemitério a restaurante. Não poupou nem hospitais, como o grupo Oncoclínicas. Na área de remédios, o laboratório Biomm também teve o Master como sócio.
Nem adulto nem criança escapou. As fraudes prejudicaram 19 fundos de previdência de estados e municípios — incluindo o Iprev, aqui do Distrito Federal. É dinheiro de aposentadoria, minha gente! Dinheiro de idoso!
Meio trilhão de Reais é quase o dobro do orçamento do Ministério da Saúde para este ano (R$ 253,7 bilhões). Com esse dinheiro, dava para acabar com todas as filas do SUS.
O fato de o prejuízo do Master à economia brasileira ser quase tão grande quanto o gasto feito na época da pandemia da Covid-19 nos faz pensar: corrupção é pior do que doença. Porque a doença pode ser uma tragédia natural e pode ser tratada, mas a corrupção nasce da ganância de um grupo de pessoas que rouba da sociedade o que falta para o básico da maioria: saúde, educação, segurança.
Os números do caso Master ainda não estão fechados. Mas uma coisa já dá para ver: a roubalheira foi gigante. E Daniel Vorcaro foi “generoso” para montar e manter esse esquema funcionando. A gente não quer saber só dos “números oficiais” dos diversos rombos deixados por Vorcaro e seus colaboradores.
O que queremos ver é os nomes dos culpados vir a público. Queremos que eles sejam julgados e que paguem por seus crimes. É fundamental que tudo isso venha à tona o quanto antes — ainda mais por estarmos em ano eleitoral. Porque houve um braço político que ajudou nas articulações dos golpes aplicados por Vorcaro. O povo precisa saber quem são os participantes desses esquemas de corrupção para nunca mais votar neles.

