Aquartelado no Buriti, Rollemberg falha com Brasília

Na manhã desta quinta-feira (10), o Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) realizou o seminário Brasília em risco, no auditório da Associação Comercial do DF, para mostrar e comentar dados que revelam a situação preocupante da segurança pública da capital da República.

Durante o evento, o presidente do Sindpol, Rodrigo Franco, questionou a postura da secretária da Segurança Pública e da Paz Social, Márcia de Alencar, ao criticar a realização da ação para divulgar o panorama. “Não entendemos o motivo em querer esconder esses dados. Não adianta dizer que a criminalidade diminuiu se não é o que o brasiliense sente nas ruas ou mesmo dentro de casa”, disse Rodrigo Franco.

“O crime aumenta em razão da falta de políticas de segurança pública e em razão da falta de investimento. Coisa que infelizmente tem levado a sociedade brasiliense a tornar-se refém da criminalidade”, denunciou o presidente do Sinpol.

Franco destacou a falta de uma política efetiva para o setor. Destacou o desvio de 30% do contingente de policiais civis para atividades burocráticas, a atuação de policiais militares descaracterizados, em veículos descaracterizados e a destinação de 300 policiais militares para o Palácio do Buriti. “É um batalhão inteiro que mantém o governador aquartelado”, destacou.

Incompetência e falta de diálogo

Empresários, representantes de organizações da sociedade civil e políticos prestigiaram o evento. A deputada distrital Celina Leão (PPS) foi dirá nas críticas à secretária de Segurança Pública. “Temos uma secretária que não tem o respeito da Polícia Civil e da Polícia Militar porque pouco conhece o assunto no DF”, alfinetou. Sobre a ausência do governador com os sindicatos também foi enfática: “se não tem dinheiro, no mínimo tem que ter respeito”, acusou.

Representando a seccional brasiliense da Ordem dos Advogados do Brasil, o conselheiro André Lopes de Sousa reconheceu que Brasília está em risco e criticou o desvio de função nas polícias. “A polícia, que deveria ser de Estado, passou a ser polícia de governo e isso é preocupante uma polícia de governo se presa a interesses político-partidários”, apontou.

O presidente da Federação dos Conselhos Comunitários de Segurança do DF (Feconseg), José Neife de Alcântara afirmou que o governo tem que rever sua postura na condução das políticas públicas no DF e que é necessário criar um conselho de alto nível para sugerir ações. “O governador tem que ter a humildade de pedir ajuda e assumir que não dá conta”, afirmou.

A exposição dos números mostrou que as taxas de criminalidade caíram em relação a 2014, ano atípico no qual os índices da insegurança dispararam, mas continuam acima da média histórica. A taxa de 20 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes ao ano ainda deixa o DF em um patamar de comparação com países como Honduras e Nicarágua.

Quando se verifica os índices por região administrativa, a comparação se torna ainda pior. O Paranoá apresenta um índice de 111 assassinatos por 100 mil habitantes ao ano, que é quatro vezes maior que a média nacional e superior à do município baiano de Mata de São João, que tem uma taxa de 102,9 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, segundo dados da Mapa da Violência 2016, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil).

Perdas econômicas e agressões a profissionais de saúde

O presidente do SindMédico-DF destacou que, conforme estudo produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sob encomenda do Banco Mundial, o gasto do Sistema Único de Saúde com a violência chegou (em valores atualizados em 2015) a R$ 5,14 bilhões. Esse mesmo estudo apontou que o custo social da violência, ou seja, aquilo que o País deixou de produzir pela diminuição do período de vida produtiva das vítimas de violência, atingiu a impressionante cifra de R$ 133 bilhões.

Nota técnica produzida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), destacou Gutemberg Fialho, determina uma tendência de maior sobrecarga sobre o sistema público de saúde. O aumento do desemprego desencadeia a piora do estado de saúde mental e físico da população ao mesmo tempo que a diminuição do poder aquisitivo implica no aumento da dependência dos serviços públicos de saúde, que já sofrem com o subfinanciamento, falta de profissionais e infraestrutura.

“A superlotação e a demora no atendimento decorrente disso geram frustração e geram desentendimentos, brigas e atos violentos dentro das unidades de saúde”, indicou Gutemberg. Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha para o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, em outubro de 2015, indicou que 17% dos médicos entrevistados já sofreram pessoalmente violência física, verbal ou psicológica.

”Como na Segurança Pública, é necessário melhor investimento e uma gestão eficiente para atender essa demanda dando as condições adequadas de trabalho, o que inclui garantia da integridade física dos profissionais de saúde”, enfatizou o sindicalista.

Consequências da crise econômica na saúde 1 724x1024

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