A capital do Brasil foi transferida do litoral para o centro do país com o objetivo de promover o desenvolvimento nacional. E é interessante observar que, hoje em dia, passou-se a vincular o conceito de desenvolvimento à sensação de “felicidade”.  Vou me permitir a liberdade poética de dizer, então, que Brasília foi criada para sermos felizes aqui.

Já disse algumas vezes que sou da escola de Ariano Suassuna: um realista esperanço. Fique claro, portanto, que não falo aqui de uma felicidade de final feliz de contos de fada. Refiro-me à felicidade no contexto do desenvolvimento sustentável das comunidades humanas e da realização do potencial humano, intimamente ligado ao bem-estar social e ao atendimento das necessidades básicas, como segurança, educação e saúde.

E, nesse sentido, a poesia pôs os pés na realidade. O traçado futurista dos projetos de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer se encontra com esse conceito de felicidade – tanto nas formas arrojadas dos prédios de arquitetura brutalista dos monumentos da capital, na harmonia da integração da cidade com o cerrado, quanto na elaboração de políticas públicas e oferta de serviços que garantem bem-estar.

Fico satisfeito, como médico e cidadão, de participar desse movimento para dar às pessoas uma melhor condição de vida. E isso tanto dentro do consultório quanto ao exercer um papel fiscalizador e propositivo em relação à saúde pública do Distrito Federal.

São as experiências, interações e relações humanas, mais do que o concreto de nossos monumentos, que fazem de Brasília ser a cidade que amamos, que boa parte de nós, que nascemos em outras partes do Brasil e do mundo, adotou como lar. Por isso, temos o privilégio de participar da construção desse ideal de felicidade, de bem-estar.

De fato, em relação ao resto do país e em relação a boa parte do mundo, temos, no geral, uma condição de vida invejável: níveis de renda, educação e sensação de segurança acima da média nacional; na saúde, a maior concentração de médicos por habitante do país, e um por de sol lindo para ver no fim do dia. Não fechamos os olhos para o fato de que há muito em que avançar, erros a corrigir e benefícios a distribuir de forma mais justa. Mas é fato que somos privilegiados. Cabe-nos preservar o que temos e evoluir tanto no âmbito pessoal quanto no coletivo.

Brasília chega aos 66 anos, resultado de um sonho, ainda como representação de esperança por um futuro melhor e pela felicidade possível. É a nossa cidade, que hora nos passa a sensação de tranquilidade, hora de estar pulsando e se expandindo. Somos parte dela e, ao mesmo tempo, participantes de seu crescimento. Brasília tem um pé no concreto, outro no sonho. Que a felicidade, o bem-estar de cada brasiliense de berço e de coração, sejam o pavimento para a construção desse futuro. Parabéns, Brasília!