Check up 2021: o poço sem fundo do IGESDF

O Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF) acompanha com lupa o que se passa no Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGESDF). Alvo de denúncias de irregularidades de toda natureza, o Instituto continua sugando os recursos públicos da saúde sem dar resultados que justifiquem sua existência.

Diante da sequência de escândalos, o SindMédico-DF pediu na Justiça a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para  apuração das irregularidades no IGESDF. A proposição dos deputados autores do pedido era investigar as denúncias de direcionamento de contratação de empresas e sobrepreço verificado nos contratos; os gastos dos cartões corporativos de diretores; e aluguel de imóvel acima do preço de mercado.  

O Sindicato tem alertado por todos os meios para o mau funcionamento do Instituto. “O IGES se tornou tudo aquilo que avisamos no passado: um cabide de empregos e um buraco-negro de recursos públicos, além de não prestar a assistência que deveria prestar, a falta de medicamentos e insumos é constante, além de haver uma rotatividade enorme de pessoal, o que prejudica a qualidade da assistência prestada aos pacientes”, afirma o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg Fialho.

Em agosto, o então presidente do IGESDF, Gilberto Occhi, afirmou que as dívidas do Instituto chegavam a R$ 370 milhões e que seria necessário o aporte de mais R$ 610 milhões para as unidades administradas pelo  IGESDF continuarem funcionando até o fim do ano.

Com o aumento dos repasses ao IGESDF, os recursos para aplicação nas unidades de saúde sob administração direta da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF) diminuem.

A ação pela instalação da CPI foi rejeitada em primeira instância. O SindMédico-DF apresentou recurso. “A caixa-preta do IGESDF tem que ser aberta e os responsáveis pelos desvios e irregularidades devem responder pelos seus atos”, afirma Dr. Gutemberg.

SindMédico-DF derrubou ajuda de custo para diretores

Antes da ação pela instalação da CPI, o  SindMédico pediu à Justiça a suspensão do pagamento de ajuda de custo para a diretoria executiva do IGESDF. Com valores que variavam de R$ 4 mil a R$ 6 mil, o dinheiro se destinava a pagamentos de gastos dos diretores com telefones e transporte, entre outros.

Em setembro, o juiz titular da 3ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal deferiu o pedido de urgência feito pelo SindMédico-DF e suspendeu o pagamento de ajuda de custo para a diretoria executiva do IGESDF. O Ministério Público de Contas do DF também apresentou denúncia ao Tribunal de Contas do DF, que também mandou suspender o pagamento da ajuda de custo.

Após a repercussão negativa, o Conselho Administrativo do Instituto voltou atrás e cancelou o pagamento da ajuda de custo

Escândalos e cabide de empregos

Além de ser alvo de investigações em curso pelo Ministério Público e Polícia Federal, o IGESDF também é alvo de investigações feitas pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal, que apura denúncias de favorecimento e falta de transparência em processos de seleção de funcionários para o IGESDF. 

Os alvos são três processos seletivos realizados entre maio e agosto de 2021, destinados à contratação de médicos, farmacêuticos e de outros 700 profissionais de saúde de diversas áreas. 

Um outro escândalo aponta favorecimento na lotação de cargos no IGES, bem como o pagamento de rescisões “generosas” aos presidentes do IGES que pediram demissão. Francisco Araújo recebeu uma rescisão de mais de R$ 100 mil reais, pagos a título de “despedida sem justa causa”.

Araújo foi afastado do cargo após a acusação de chefiar suposto esquema de superfaturamento de testes para covi-19 e outros esquemas de corrupção em contratos da Saúde no governo Ibaneis Rocha (MDB), pelo qual foi condecorado recentemente com a Medalha Imperador Dom Pedro II. Araújo chegou a ser preso pela operação Falso Negativo, da Polícia Federal.

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