COVID-19: Qual o risco do retorno das aulas presenciais?

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No dia 02 de julho de 2020, o GDF, por meio do decreto nº 40.939, autorizou o retorno das aulas presenciais, em instituições particulares, para o dia 27 de julho/2020.

 A partir daí as instituições começaram a se organizar, algumas optando por continuar mantendo aulas online, para pais que não se sentissem seguros em mandar os filhos para o ambiente escolar, devido a pandemia do coronavírus ainda não estar controlada. 

Mas, uma medida cautelar expedida pelo juiz Gustavo Carvalho Chehab, do Tribunal Regional do Trabalho, suspendeu este retorno até o dia 06 de agosto, após apelo feito por professores da rede privada, que também não se sentiam seguros para retornar ao trabalho presencial. E é em torno da segurança, que estão a maioria das dúvidas entre alunos, professores e pais. 

Embora o governo defenda a retomada, alguns especialistas acreditam que este ainda não é o momento para isso.  Em entrevista a TV SindMédico, o presidente da sociedade de pediatria do DF, Dennis Alexander Burns, explicou que mesmo se tratando de uma baixa ocorrência de casos de crianças infectadas pelo coronavírus, expô-las ao ambiente escolar, poderia promover uma enorme proliferação do vírus, que passaria a ser espalhado em grande escala, a partir da circulação dos alunos.

Outra questão apontada é que, todos os anos , no período de março a final de julho,  há uma incidência grande de crianças com doenças respiratórias comuns, devido às condições climáticas da época. Já este ano, observou-se que, por causa do isolamento, as enfermarias dos hospitais ficaram vazias,  com poucas ou quase nenhuma ocorrência de doenças respiratórias. 

Portanto, a condição de isolamento, não apenas preservou as crianças da contaminação do novo coronavírus, como também de infecções respiratórias comuns de todos os anos. Além de ter evitado mais uma sobrecarga ao sistema de saúde, que está com grande parte da sua capacidade, voltada aos pacientes contaminados pelo novo coronavírus.

A ocorrência de casos em crianças, entre 0 a 19 anos, tem se apresentado entre 2,6 a 3% do total da população. A grande maioria tem quadros assintomáticos, com poucos casos de evolução da doença.  Porém, se o vírus não é detectado a tempo, somente uma criança infectada e assintomática, pode replicar o vírus para pelo menos três outras crianças, e essas para outras nove, e as nove para 27, formando uma cadeia enorme de infectados.

O pediatra explicou que, “a cada momento que houve alguma liberação, como a reabertura do comércio, 20 a 30 dias depois, houve também uma ascensão no número de casos de contaminação. Portanto temos que avaliar a partir disso, a possibilidade de reabrir as escolas. O que eu defendo, não é que as crianças não voltem para escola, mas que voltem daqui a algum tempo, quando a curva de contaminados começar a descer”, afirmou Burns.

Medidas de segurança, como revezamento, não são consideradas totalmente seguras na prevenção da disseminação do vírus, uma vez que o risco não é a criança levar a doença para escola, mas sim ela voltar da escola, infectada pelo coronavírus. 

“Por mais que estabeleça um rigor no controle diário de saúde e de temperatura, ou com um funcionário aferindo a temperatura na entrada, aglomerações vão se formar desde a porta da escola, mostrando que o revezamento também vai trazer riscos”, declarou o pediatra.

Retorno gradual e escalonado

Representantes dos setores envolvidos se reuniram em audiência, na última segunda feira (03/08), e apresentaram uma proposta de retorno gradual, das aulas presenciais. Estavam presentes o Ministério do Trabalho (MTP), Associação de Pais (ASPA), Secretaria de Estado de Educação do DF, sindicatos das escolas particulares e dos professores.

 O texto apresentado, prevê um retorno a partir do dia 10 de agosto, obedecendo a seguinte escala:

A proposta segue para avaliação do Governo do Distrito Federal, e setores aguardam reposta.

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