DF corre risco de epidemia de chikungunya

Um mosquito, três doenças: dengue, chikungunya e zika. Os casos de dengue, evidentemente, deram um salto. Estamos vivendo a pior epidemia da doença no Distrito Federal. E, como venho dizendo, um problema previsto, que poderia ser evitado se a escolha fosse prevenir em vez de remediar. Mas, para além disso, o que estamos testemunhando lamentavelmente é o aumento, também, de outras duas enfermidades transmitidas pelo Aedes aegypti. Ambas perigosas, com graves riscos à saúde, inclusive para as gestantes e seus bebês. E para as quais não há vacina.

Segundo especialistas, o Distrito Federal corre o risco de sair da epidemia da dengue direto para a de chikungunya. Enquanto isso, no entorno, há registro do aumento de casos de zika. Ou seja, as previsões não são nada amistosas, em especial quando já se observa uma sobrecarga do Sistema Único de Saúde. Importante: hoje, 70% da população do DF depende exclusivamente do SUS para consultas, tratamentos e demais procedimentos. Portanto, apenas vacinação contra a dengue não resolve o problema. É preciso ir além e investir em estratégias de prevenção.

Dados da Secretaria de Saúde do mês de fevereiro apontam que foram registrados 487 casos prováveis de chikungunya neste ano. No mesmo período de 2023, foram 167. Ou seja, um crescimento de 191,6%. A zika também apresentou aumento, passando de zero casos prováveis para 51. Já a dengue teve um salto de 1.533,3% no número de casos prováveis, em comparação ao mesmo período de 2023: um total de 125.623 suspeitas da doença. Importante aqui salientar, também, a baixa adesão à vacina em todo o País.

O crescimento dessas doenças não decorre do acaso. Para chegar a estes números no DF houve muita negligência do governo e pouca prevenção. Agora é preciso saber o que será feito para atenuar a tendência dessas curvas. Lembrando: tanto a chikungunya quanto a zika são extremamente nocivas à saúde e exigem, em muitos casos, serviços que estão extremamente precarizados no SUS, como neurologia, psiquiatria, fisioterapia e psicologia. A primeira é mais letal do que a dengue e desencadeia com maior frequência problemas de longo prazo, como a síndrome de Guillain-Barré. Já a segunda pode causar, também, microcefalia em bebês.

A Secretaria de Saúde adotará medidas mais eficazes contra o mosquito? Porque o fumacê não foi feito no momento certo. Haverá contratação eficaz de mais profissionais na saúde? Tanto médicos, enfermeiros como agentes de vigilância ambiental (AVAs) e agentes comunitários de saúde (ACSs)? O governo precisa responder essas perguntas, esclarecer à população o que será feito e agir. A situação exige, sobretudo, rapidez nas ações – já tardias para a dengue.

Sobre as campanhas educativas, embora o objetivo seja nobre, observo que as estratégias são antigas e não engajam. A população é, sim, parte da solução para o problema. Mas, peças genéricas que não incorporam a realidade de cada cenário. Em especial nas comunidades mais carentes. Não basta falar do cuidado com os vasos de planta em locais cujo principal problema é a falta de saneamento básico e a coleta irregular de lixo e entulho. E o governo sabe disso!

Como venho dizendo, o tempo é de ação. E é agora para evitar uma epidemia chikungunya ou zika. Embora haja vacina contra a dengue, ela tem que ser oferecida o ano todo, para evitar a próxima crise – a de agora ela não resolve. E o imunizante não acaba com o mosquito. Para evitarmos novas epidemias (e até piores) cabe ao governo tomar as decisões corretas. Não podemos mais adiar ou negligenciar ações decisivas. Afinal de contas, o Aedes aegypti é um inimigo antigo, para o qual existem inúmeras soluções viáveis. E o governo do DF também sabe disso.

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