Doenças respiratórias: não há plano para evitar epidemia

Doenças respiratórias atacam e gestão não faz nada para conter epidemia.

O vilão da temporada outono/inverno começa a atacar novamente. E, para variar, a Secretaria de Saúde (SES-DF) não apresentou uma solução para o problema, que já é esperado anualmente. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é responsável por uma série de infecções graves em crianças, entre elas pneumonia e bronquite. E, ano a ano, tem mostrado sua relevância e risco em dados epidemiológicos. Agora, não é diferente. No entanto, fica evidente a lacuna na preparação e resposta da saúde pública do DF para enfrentar a doença.

Como alertei em artigos recentes, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu, em janeiro deste ano, atualização epidemiológica, destacando os níveis alarmantes de doenças respiratórias na Região das Américas em 2023. A Tripledemia, caracterizada pela coexistência do vírus influenza, vírus sincicial respiratório e o vírus da covid-19, está sobrecarregando sistemas de saúde em todo o Hemisfério Norte. E não será diferente aqui. Lembram-se da Covid-19? Tudo o que aconteceu lá, ocorreu aqui.

DF não apresentou plano viável

Enquanto isso, aqui no Distrito Federal, tudo o que se fez de 2023 para cá – ano que registrou alta da doença e sobrecarregou todas as pediatrias da cidade – foi “lançar” um plano de combate a doenças respiratórias sem dizer como ou quando será colocado em ação. Porque no que diz respeito ao número de pediatras na rede pública, por exemplo, o que ocorreu foi uma queda. A redução desses médicos nos últimos dez anos nos quadros da SES-DF chega a 34%. Passando de 684 em 2014 para 451 atualmente.

Essa diminuição no número de pediatras certamente contribui para a sobrecarga nas unidades de Saúde do SUS-DF. Além disso, vale ressaltar que o número de leitos também não aumentou: na última semana, por exemplo, 100% deles estavam ocupados em 5 hospitais do DF, incluindo o HMIB. Como destacou o jornal Correio Braziliense, em matéria divulgada no dia 8 de março, “a perspectiva quanto ao sistema de saúde é muito preocupante”, avaliou o médico Mário Ferreira Carpi.

Segundo dados do Boletim Epidemiológico de gripes do DF, em 2023 os casos de SRAG correspondiam a 17,9% por VSR; 13,4% por SARS-CoV-2 e 5,2% por Influenza. O VSR circulou predominantemente nas primeiras semanas do ano, afetando principalmente crianças até 10 anos. Em 2024, embora tenha havido uma diminuição nas notificações de SRAG em comparação com o ano anterior, os casos por VSR ainda são uma parcela significativa: até agora, 6,5%. E a tendência é aumentar, visto que o pico da doença começa a ocorrer em maio.

Neste cenário é importante ainda lembrar que o Vírus Sincicial continua sem vacina (liberada pela Anvisa em dezembro 2023, só para pessoas acima de 60 anos). Com isso, não há novidades na aplicação de novas medidas. Porém, como digo sempre, outras ações preventivas, poderiam ter sido adotadas como ferramentas.

O fato é que enfrentar os desafios das doenças respiratórias pediátricas, especialmente o VSR, exige uma abordagem abrangente e proativa por parte da saúde pública do Distrito Federal. É essencial que os gestores de saúde implementem um plano de ação eficaz, garantindo recursos adequados, comunicação clara e capacitação das equipes, para garantir uma resposta eficiente e compassiva às necessidades de saúde da população infantil.

Repito o que afirmei em outros momentos: a falta de compromisso da gestão não é aceitável diante de um problema que já é esperado todos os anos. Não estamos diante de um problema sem saída. E a solução não é imponderável. Pelo contrário. Ela existe e viável. Basta querer.

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