Lotado de casos de covid-19, HRSM corre risco de falta de EPIs

Na tarde da última terça-feira, 16, um paciente com covid-19, com saturação em 90% e precisando de oxigênio, aguardava sentado em uma cadeira no corredor pela sua vez, enquanto outros recebiam oxigênio em cadeiras e todos os leitos de internação estavam ocupados no Hospital Regional de Santa Maria, lotado de casos de Covid-19. Do outro lado da emergência do hospital, onde ficam os consultórios e enfermarias para pacientes sem síndrome respiratória, os leitos estavam cheios. Ao mesmo tempo, os servidores do hospital vêem cair rapidamente os estoques de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Segundo o diretor clínico do Hospital, Ruber Paulo de Oliveira Gomes, se não houver reposição urgente de EPIs, o estoque atual pode acabar até o final da semana. Além do crescente número de pacientes com covid-19, o hospital viu crescer em 40% a demanda na ala não covid da emergência de adultos em relação a 2020. Em vistoria no hospital, o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho, verificou que o box da emergência (não covid) tinha 12 pacientes onde o espaço comporta até oito deles, incluída a área de isolamento.

Embora o IGES-DF tenha anunciado, no início da semana, o reabastecimento de suas unidades, a relação de estoque de EPIs apresentada pelo corpo clínico ao SindMédico-DF mostra que esses insumos não chegaram à ponta. O relatório de estoques de EPIs no site do Instituto, que deveria ser diário, até o fechamento desta matéria ainda apresentava números de 12/03. O relatório da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF) também indica estoques baixos de itens como luvas não estéreis, toucas e aventais. Também é preocupante o baixo estoque de medicamentos diversos, inclusive anestésicos e antibióticos, e insumos como tubos endotraqueais e catéteres intravenosos. Alguns desses insumos já estavam zerados.

Lotado de casos de covid-19, HRSM tem aumento de demanda

A emergência pediátrica também observa aumento na procura. Houve aumento significativo de casos de bronquiolite e aparecem casos de síndrome inflamatória ligada ao coronavírus. Apesar da demanda, a equipe consegue manter a rotatividade de leitos em, no máximo, dois dias.

O fornecimento de oxigênio é feito três vezes por semana, mas não há pontos de distribuição suficientes, o que leva aos improvisos e gambiarras para não deixar pacientes sem o necessário suprimento. Em 2020 foi feito às pressas um ajustes e pontos de oxigênio foram instalados até nos corredores onde ficam encostadas macas.

O hospital chegou a oferecer 20 leitos de enfermaria com suprimento de oxigênio. Em dezembro, a ordem da Secretaria de Saúde do DF foi desmobilizar todos eles, mas o hospital manteve 10. Na nova mobilização, em função da segunda onda da covid-19, mandaram aumentar para 15. Mas na terça-feira, havia 37 pacientes internados, quatro deles intubados. Com os improvisos feitos, os pacientes passam pelo procedimento na sala de curativos. Consultórios também foram convertidos em área de internação.

Apesar de lotado, HRSM tem déficit de quase 600 horas de trabalho médico

Nas enfermarias clínicas, no terceiro e quarto andar, 60% dos pacientes chegaram a ser infectados pelo coronavírus por acompanhantes que iam e vinham. Por isso, foi limitado o acesso e os andares foram divididos – de um lado os pacientes de covid-19, do outro os demais. Antes da desmobilização dos leitos covid, havia uma parede de drywall dividindo os ambientes. Hoje, um biombo separa as duas áreas.

Além das deficiências estruturais e da limitação de EPIs, o hospital sofre com o problema de falta de pessoal. Há um déficit de 596 horas  de trabalho médico. Isso ocorre em função da dispensa precoce dos profissionais com contratos temporários. Como o aviso de que os contratos poderiam ser prorrogados até junho só chegou no último momento, só restaram seis deles.

“A SES-DF e o IGES precisam abastecer urgentemente o Hospital de Santa Maria e as demais unidades de saúde com os EPIs, ampliar a capacidade de oferta de oxigênio aos pacientes e acelerar a vacinação da população”, aponta Gutemberg Fialho. Ele também destaca a preocupação da equipe do HRSM em função da sazonalidade da dengue – a expectativa é que a demanda pelo hospital aumente até 80%.

“É indispensável que a população tenha consciência do cenário de guerra nos hospitais do DF, que evitem aglomerações, mantenham o distanciamento social, higienizem as mãos e usem máscaras. A rede de saúde está trabalhando além da capacidade. Não haverá leitos suficientes se a disseminação do coronavírus não for interrompida”, alerta o presidente do SindMédico-DF.

Estoques de EPIs, segundo o IGES-DF e a SES-DF.

EPIsEstoque HRSMConsumo diárioEstoque IGES-DFPrevisão duração (dias)Estoque SES-DFPrevisão duração (dias)
Máscaras cirúrgicas16.9002.3007.20061.701.50540
Máscaras PFF29274618.68010066.367107
Luva de proc. ñ estéril P1.0001.6004.000048.0751
Luva de proc. ñ estéril M36.40018.7009.000281.8132
Luva de proc. ñ estéril G04.7002.000071.5503
Avental/capote2001.8507.2301942.69299
Gorro/touca descartável48100053.9508

Fontes: InfoSaúde (16/03/21) e IGES-DF (posição em 12/03/21 sem atualização até as 12h32 de 17/03/21)

Estoques de EPIs do HRSM, segundo o corpo clínico do hospital, em 15/03/2021.

EPIsEstoque HRSMDuração do estoque (dias)
Máscaras cirúrgicasNão informadoNão informado
Máscaras PFF27509
Luva de proc. não estéril P0
Luva de proc. não estéril M0
Luva de proc. não estéril G0
Avental/capote3.4009
Gorro/touca descartávelNão informadoNão informado
Luva cirúrgica convencional 6,510.000Não informado
Luva cirúrgica convencional 7,05.0005
Luva cirúrgica convencional 7,51900
Luva cirúrgica convencional 8,010.00012
Luva cirúrgica convencional 8,518.000Não informado

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