Médicos do Hospital do Gama pedem socorro

O pronto socorro adulto de clínica médica do Hospital Regional do Gama tem apenas 30% da quantidade de médicos necessária para fazer funcionar o setor. Isso significa que onde devia haver seis médicos, trabalham dois ou um, atendendo tanto na área de internação, porta de atendimento e sala vermelha (box de emergência) da covid, quanto nas áreas correlatas não covid. Os médicos pediram socorro ao Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF). Óbitos evitáveis estão ocorrendo na unidade e pedidos de demissão por falta de condições de trabalho.

O presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg Fialho, esteve no hospital na manhã desta quarta-feira, 04. “Não há o menor exagero no que foi descrito. É ainda mais preocupante quando se vê a situação in loco”, afirma. Antes mesmo de chegar ao hospital ele recebeu, por WhatsApp, a seguinte mensagem: “Começando a manhã com dois corpos trazidos da enfermaria do PS para o box já parados provavelmente há algum tempo… Pacientes param (têm parada cardiorrespiratória) no PS e nem temos o que fazer… última evolução do dia 1/8.”

Médicos pedem socorro e número de profissionais cai

“De 13 médicos emergencistas nomeados no início da pandemia, mais de 50% pediram exoneração por não suportarem ou tolerarem as péssimas condições de trabalho”, informa a denúncia recebida pelo sindicato.“Enfrentamos uma realidade completamente desumana em que pacientes já chegaram a ficar 120 horas sem avaliação médica mesmo internados”, relatam os médicos.

Problemas na estrutura física e falta de materiais e equipamentos básicos como um simples AS (medicamento), dificultam ainda mais o atendimento aos pacientes. A Sala Vermelha conta com quatro leitos oficiais e outros quatro leitos de estabilização, mas a ocupação chega a 12 ou 13 pacientes. O local tem goteiras na época de chuvas.

O espaço é restrito, com macas muito próximas, o que favorece a contaminação cruzada.  Quando há necessidade de radiografia no leito, manobras de reanimação cardiopulmonar ou entubação, os leitos precisam ser rapidamente afastados para que aparelhos sejam colocados entre as camas e para que os profissionais de saúde possam se aproximar dos pacientes.

Não há monitores em número suficiente para todos os oito leitos da sala vermelha. Devido às circunstâncias, pacientes compartilham monitores (em revezamento intermitente) e utilizam, por exemplo, oximetria do carro de emergência.

Espaço reduzido e lotado na sala vermelha

O local não possui área de isolamento de contato/respiratório. Quando algum paciente da enfermaria, em isolamento, apresenta descompensação clínica grave e precisa de cuidados intensivos ou intermediários, é conduzido à sala vermelha, com espaço reduzido e habitualmente superlotado. O HRG conta, em média, com 30 pacientes internados em enfermaria do pronto socorro adulto de clínica médica, mais extra-leitos.    A direção do SindMédico-DF vai encaminhar a denúncia à Secretaria de Saúde, ao Ministério Público e ao Conselho de Medicina do Distrito Federal. Também vai realizar uma reunião na segunda-feira, 9, com os órgãos de controle, gestores do hospital e da SES-DF e médicos do HRG em busca de solução para a crise. “A situação tende a se agravar com o provável aumento do número de casos de covid-19, em função da circulação da variante Delta no DF”, alerta o presidente do SindMédico-DF.

Leia, também sobre a crise nos hospitais sob a gestão do IGESDF.

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