Viver um ano em que a paixão pela Copa do Mundo coincide com a responsabilidade das eleições é o tipo de “bem bolado” que mexe profundamente com o coração do brasileiro. De um lado, a nossa eterna esperança veste a camisa verde e amarela para torcer pela Seleção; do outro, a nossa cidadania nos convoca a tomar decisões que vão impactar o nosso dia a dia pelos próximos quatro anos. Como médico, cidadão e alguém que escolheu dedicar a vida a cuidar das pessoas no Distrito Federal, vejo essa combinação como um chamado à reflexão sobre o tipo de vitória que realmente precisamos comemorar.

Queremos, sim, ver a Seleção Brasileira vitoriosa no campo. O futebol tem essa força mágica de unir o país, de trazer alegria para as nossas comunidades e de nos fazer esquecer, por noventa minutos, as batalhas diárias. Mas, enquanto torcemos pelo Hexa, não podemos perder de vista o campeonato mais importante das nossas vidas, que é jogado bem aqui, no Brasil.

Se no futebol nós cobramos tática, escalação certa e profissionais que joguem com amor à camisa, nas eleições para os nossos representantes à presidência, ao Congresso e Câmara Legislativa, o critério precisa ser ainda mais rigoroso. O voto é a ferramenta mais direta que a população tem para mudar a realidade das nossas cidades. É ali que se fiscaliza, que se propõe leis e que se decide para onde vão os recursos públicos.

E, se há uma área que precisa urgentemente de uma “escalação de peso” e de um choque de gestão, é a saúde pública do Distrito Federal, não é mesmo?

Quem vive no DF sabe que a nossa saúde não pode mais aceitar paliativos. O diagnóstico é claro: faltam investimentos estruturais, valorização dos profissionais que estão na linha de frente e, acima de tudo, sensibilidade de quem entende o SUS por dentro. Como médico, sinto na pele a dor de ver o cidadão esperando meses por uma consulta, uma cirurgia ou um exame básico. A saúde não espera o segundo tempo. Ela é urgência. Ela é vida.

Por isso, o gol mais bonito que o povo do Distrito Federal pode marcar este ano não será nos gramados, mas nas urnas. A nossa grande vitória será escolher representantes comprometidos de verdade com a reestruturação da saúde da nossa região, pessoas que tenham a bagagem e o conhecimento técnico para propor soluções reais e cobrar resultados de forma implacável.

Que a nossa Seleção seja brilhante e traga a taça para o Brasil. Mas que a maior goleada deste ano seja da nossa consciência. Que o povo brasileiro, e em especial o povo do Distrito Federal, saia vitorioso das urnas, escolhendo um time, em especial na CLDF, que fortaleça a saúde pública. A receita para o futuro está em nossas mãos, e o primeiro passo é fazer a escolha certa.