Quando o ano vira, a escolha é coletiva: cuidar da saúde é decidir o futuro

Quando o ano vira, a escolha é coletiva: cuidar da saúde é decidir o futuro

Todo início de ano carrega mais do que uma mudança no calendário. Ele traz a chance de reavaliar caminhos, corrigir rumos e reafirmar prioridades. Na saúde pública do Distrito Federal, essa virada precisa ser encarada como uma decisão coletiva: ou seguimos repetindo erros, ou escolhemos cuidar de quem cuida e de quem precisa ser cuidado. Cuidar da saúde é decidir o futuro!

O DF tem história, conhecimento técnico e profissionais altamente qualificados. O que falta não é capacidade — é projeto. Falta uma política pública de saúde que enxergue o SUS como solução, e não como problema; que valorize o servidor público, em vez de tratá-lo como custo; e que entenda que acesso à saúde não pode depender de contratos frágeis ou modelos que fragmentam a rede.

Enquanto famílias celebram as festas de fim de ano, médicos e demais profissionais de saúde seguem garantindo atendimento em plantões exaustivos, muitas vezes sem a estrutura mínima necessária. Do outro lado, pacientes convivem com filas, exames adiados e cirurgias canceladas. Essa realidade não é fruto de “obra do destino”. E nem da incompetência de quem está na ponta. Ela é consequência direta de escolhas políticas feitas ao longo do tempo.

Fala-se muito em “gestão” e “modernização”, mas o que se vê, na prática, é o esvaziamento progressivo do serviço público, a precarização dos vínculos de trabalho e a transferência de responsabilidades do Estado. Não se fortalece a saúde pública retirando seus alicerces. Sem concursos, carreira estruturada e financiamento adequado, não há sistema que se sustente.

Ainda assim, médicos e profissionais de saúde resistem. Resistem por compromisso com a vida, com a ética e com a população. Mas é preciso dizer com clareza: resistência não pode ser a base de um sistema de saúde. Vocação não substitui direitos. E boa vontade não pode compensar a ausência de políticas públicas responsáveis.

Para os pacientes, o risco maior é a normalização do caos. Quando filas viram rotina, a demora se torna aceitável e a precariedade passa a ser vista como destino. Isso não é normal, nem inevitável. É resultado de decisões — e decisões podem e devem ser mudadas.

Por isso, encerro este ano reafirmando uma convicção inegociável: saúde é direito, não mercadoria. Defender o SUS é defender a vida, o trabalho digno e a dignidade de quem depende do sistema público para viver.

Que o próximo ano seja marcado por escolhas mais responsáveis, diálogo verdadeiro e compromisso com políticas públicas que coloquem as pessoas no centro. Que seja um ano de reconstrução, fortalecimento do SUS e valorização dos médicos e demais profissionais de saúde do Distrito Federal.

Boas festas. Que 2026 comece a ser construído agora — com coragem, responsabilidade e compromisso com a saúde pública. Conto com você. Vamos, juntos, neste novo ano que começa!