Reabertura do comércio: decisão perigosa para a população

Reabertura do comércio no DF prejudica a população?

A reabertura do comércio no Distrito Federal foi alvo de inúmeras discussões e polêmicas. Isso porque, ao em vez de o número de infectados diminuir, a contaminação pelo coronavírus se espalha na capital do País, em especial nas regiões mais pobres. Por isso, para especialistas e órgãos de controle, ainda que gradualmente, abrir as portas do comércio novamente, neste momento, é um erro que pode custar muitas vidas. Além disso, em outros estados houve recuo da decisão: justamente por entender a medida coloca a população em risco.

Em Minas Gerais, por exemplo, a Secretaria de Saúde recuou nas orientações sobre a reabertura do comércio nas cidades da macrorregião Centro de saúde do Estado. Agora, a determinação para os prefeitos é que mantenham fechados estabelecimentos como salões de beleza, lojas de roupas e calçados e papelarias. No Rio de Janeiro, o governo local também não descarta voltar atrás da decisão de reabrir o comércio. E o mesmo ocorre em outros locais do país. Mas, e aqui no DF? Como vai ser se o número de casos de contaminação seguir aumentando?

Reabertura preocupa MP

Após idas e vindas na decisão de reabrir o comércio, o governador Ibaneis Rocha não falou, até o momento, em recuar da medida caso o número de infectados por coronavírus continue crescendo. Tanto é que, na última quinta-feira (18), o Ministério Público (MPDFT) apresentou pedido à Justiça para que a administração do DF tome ações para garantir o isolamento social de pelo menos 60% da população.

Para o Ministério Público, “as diversas medidas de retomada de atividades não essenciais certamente agravaram a situação no Distrito Federal.” No pedido à Justiça, o órgão cita o crescimento rápido da Covid-19 na capital, que registrou 365 mortes e mais de 27,1 mil infectados.

Para o infectologista Julival Ribeiro, a receita para conter o coronavírus é apenas uma: o isolamento social. “Quanto mais aglomeração e menos distanciamento social, mais esse comportamento favorece a transmissão do coronavírus”, explica. Por isso, salienta, “o correto é não relaxar o isolamento”. Isso porque, destaca, há estudos comprovando que pacientes assintomáticos e os pré-sintomáticos, aqueles que ainda não mostram sintomas da doença, transmitem a covid-19. “Esse é o grande problema desta doença”, conclui.

O presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, concorda com o especialista: “se o objetivo é controlar a pandemia, é preciso controlar as aglomerações. Quando você libera atividades não essenciais, faz o oposto disso”, avalia.

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