Renovação do estado de emergência: a saúde do DF por água abaixo

Para o governador Rodrigo Rollemberg e o atual secretário de Saúde, Humberto Lucena, parece que é normal viver no caos. Prova disso é que, pela quarta vez consecutiva, o Governo do Distrito Federal (GDF) prorrogou o decreto que coloca a Saúde do Distrito Federal em estado de emergência. Sem investimentos e esforços para reverter o quadro, como o SindMédico-DF vem denunciando ao longo dos últimos dois anos, a previsão é de que a situação se estenda até o fim do seu mandato. Ou, tenha um disfarce publicitário, até que ele consiga, como pretende, implementar as Organizações Sociais (OSs) na gestão da área.

“Por diversas vezes, o Sindicato dos Médicos promoveu reuniões em busca de soluções para os graves problemas da saúde pública. Em todos, convidamos o secretário de Saúde e/ou representantes da pasta. Mas, infelizmente, não há diálogo. Não há interesse em recuperar a saúde”, critica o presidente em exercício do SindMédico-DF, o vice-presidente, Carlos Fernando. “Para nós, não restam dúvidas de que a ideia é permanecer assim, com um sucateamento premeditado, para tentar justificar as OSs. E é contra isso que lutamos. Contra um governo que impede os profissionais de saúde de trabalharem. Que não se esforça para oferecer saúde pública digna à população”, completou.

O decreto foi prorrogado na última terça-feira (17) e nem assim o secretário de Saúde foi a público explicar os reais motivos da Saúde do DF estar em estado de emergência pela quarta vez. Aliás, foi a subsecretária de Planejamento da Secretaria de Saúde, Leila Gottems, quem tentou justificar a medida, falando em“gargalos” na pasta que não foram resolvidos desde 2015. “Que não foram resolvidos já sabemos. Por isso, cobramos soluções diariamente”, afirmou ainda Carlos Fernando.

Histórico

E por falar em “gargalos” não solucionados, é importante frisar que a gestão da Secretaria de Saúde e o GDF não se esforçam para cumprir o mínimo exigido de uma administração pública. Nos hospitais, faltam medicamentos básicos, luvas, lençóis, macas, equipamentos, profissionais e até água, como denunciou o SindMédico-DF ontem. Após decidir que era preciso fazer o racionamento, previsto há pelo menos um ano, tanto o governador quanto o secretário de Saúde “esqueceram-se” de enviar caminhões pipa para a UPA de Ceilândia e vários centros de saúde da região.

Foram quase dois dias de desespero tanto para os profissionais de saúde quanto para a população, que ficou sem atendimento por horas. A Secretaria de Saúde só foi resolver o problema ao meio-dia de ontem, sem qualquer justificativa, como de costume. “O secretário de Saúde simplesmente não se pronuncia. É como se os problemas da pasta não dissessem respeito a ele. Enquanto isso, os profissionais de saúde e a população adoecem, porque não há condições de trabalhar assim”, critica o presidente em exercício do SindMédico-DF, o vice-presidente, Carlos Fernando.

Também ontem, o SindMédico-DF teve de ir ao encontro da superintendente da região Sudoeste de Saúde, Lucilene Florêncio, para cobrar o mínimo de atenção em relação ao Centro de Saúde n° 1 de Samambaia que, segundo denúncia, não tem “sequer papel para prescrever medicação”. Quando chove no local, relatou uma servidora da unidade, “cai lama do teto em cima dos funcionários”. E, por incrível que pareça, essa situação é apenas um esboço de como se encontra hoje a saúde pública do DF: à mercê do caos e da incapacidade de quem, de fato, pode resolver os problemas.

“Ao longo desses dois anos, temos lutado para que a Saúde saia da situação do estado emergência. Mas, infelizmente, por parte do governo não há qualquer intenção de fazer a situação sair do lugar. Agora, mais uma vez, está aí a prova disso. Mas, o SindMédico-DF não vai abrir mão do direito dos profissionais de saúde e da população à uma saúde pública digna, com condições de trabalho e atendimento, como temos feito ao longo dos últimos anos”, destaca Carlos Fernando.

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