SindMédico-DF participa de reunião sobre a retomada da unidade de Cirurgia Plástica do HRAN

Desde quando a pandemia chegou no Distrito Federal o Hospital Regional da Asa Norte – HRAN, foi destinado exclusivamente para o tratamento da Covid-19 atendendo pacientes da região e entorno. Devido a esse cenário todas as 12 especialidades foram suspensas e somente casos de extrema urgência estão sendo atendidos no hospital. Entre as especialidades que estão paradas encontra-se a Cirurgia Plástica, que antes da Covid-19 contava com o 7º andar dedicado ao atendimento e tratamento dessa especialidade.

Em reunião no dia 22 de dezembro de 2020 com representantes do MPDF, SESDF, CRM e o SindMédico-DF, foi denunciado a paralisação total da unidade de cirurgia plástica do HRAN que foi destinada para o tratamento de pacientes com coronavírus. O Chefe da Cirurgia Plástica, Dr. Altino Vieira de Rezende Filho Neto e o Dr. Antonio José Trindade Pacheco, médico cirurgião da unidade de Cirurgia Plástica do HRAN, relataram a preocupação com a falta de atendimento dos pacientes com câncer e a formação dos residentes.

“Os médicos do HRAN estão todos exaustos. O Hospital pagou um alto preço por esse atendimento de referência ao tratamento da Covid-19. Suas 12 especialidades estão paralisadas e o que temos é um cansaço generalizado, um abatimento total” relata o Dr. Pacheco.  Para ele “está na hora de repensar essa questão da centralização da Covid-19, uma vez que todos os hospitais podem ter um centro especializado para o tratamento do coronavírus ou até mesmo os hospitais de campanha, para as demais especialidades possam continuar operando” enfatiza Pacheco.

Questionado pelo Ministério Público do DF, sobre a paralisação das especialidades do HRAN o representante da Secretaria de Assistência Integral à Saúde (Sais), Oronides Urbano, informou que “desde o começo do nosso plano de contingência para o coronavírus, as cirurgias plásticas foram uma grande preocupação, pois sabemos dessa peculiaridade do serviço ser único em toda SESDF, por isso, o plano de contingência foi elaborado mantendo o serviço de cirurgias plásticas” disse Oronides.

De acordo com a SESDF, as atividades da unidade de cirurgia plástica do HRAN não foram suspensas pela Secretária. “Se em algum momento esse serviço foi diminuído, realocado ou substituído por outro serviço isso não fez parte do plano de contingência e o mesmo vale para as cirurgias oncologicas, que não foram suspensas. Durante todo o tempo a SESDF tentou manter esse serviço funcionando no HRAN, agora durante a pandemia, em algum momento, por decisão da Superintendência Central esse serviço acabou sendo prejudicado” explicou Oronides.

A chegada da Segunda Onda

O que mais preocupa a unidade de cirurgia plástica do HRAN é que o hospital continue sendo o centro de referência no tratamento da Covid-19 com a chegada da segunda onda da doença. “Penalizar o HRAN de novo, nessa segunda onda, não vai dar certo e esse é um apelo que eu faço, não só pela cirurgia plástica, mas por todas as especialidades do HRAN que não suportam mais essa carga que está sendo colocada sobre as nossas costas há 10 meses” enfatizou Pacheco.

Ciente do cenário dramático do HRAN, Rodrigo Avelar, do Ministério Público do DF, se mostrou extremamente preocupado com a fala da Secretária e do HRAN. “Percebi que há um descompasso entre as determinações da SESDF e o que foi aplicado nos termos da cirurgia plástica nesse período de medidas excepcionais, mas é preciso fazer um filtro na lista de pacientes e demandar, em conjunto com a pasta, dar vazão a esses pacientes” destacou Avelar.

A proposta de solução da SESDF

Com 5 mil pacientes aguardando por atendimento e cirurgia, o especialista em cirurgia plástica, Antonio José Trindade Pacheco, pede a reativação da unidade no HRAN e ressalta a importância da retomada dos atendimentos e tratamentos da especialidade, por se tratar de um serviço único ofertado em toda a rede de saúde do DF somente no HRAN.

“Somos uma unidade única na SESDF e, por isso, sempre pedimos um pouco mais de cuidado e atenção exatamente por sermos a única. Hoje apresentamos um quadro caótico, com 5 mil pacientes na lista de espera , sendo 300 pacientes com câncer entre outras comorbidades. Todo nosso trabalho está paralisado” enfatiza Pacheco

A solução paliativa proposta pela Secretária é de, no primeiro momento, redistribuir os pacientes. “O que temos feito agora é tentar retomar o serviço, temos procurado avançar no processo de regulação das cirurgias para podermos tomar conhecimento dessa fila de pacientes para, assim, classificar esses pacientes e obviamente poder regularizar o acesso às cirurgias e o ambulatório” afirma Oronides. Ele ainda complementa: “vamos fazer um plano de contingência, para sabermos onde redistribuir esses pacientes e também os profissionais” conclui.

Sindicato na luta a favor da retomada da unidade

Diante do exposto e das dezenas reclamações recebidas diariamente, o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, mostra preocupação a falta de medidas eficazes para mudar a realidade da unidade de cirurgia plástica do HRAN. “Essa situação é dramática, porque a questão da Covid-19 realmente toma todo o espaço em detrimento das outras atividades e é o que eu falei desde o inicio, é um show de amadorismo” enfatiza Gutemberg.

O presidente do Sindicato explica que desde o inicio da pandemia no DF não houve a criação de um fluxo dedicado aos que não estão com coronavírus.  “A SESDF nunca criou um fluxo para o paciente não Covid-19 e o que aconteceu foi totalmente o contrário, agora mesmo desmontaram toda a estrutura de tratamento para a Covid-19 e a segunda onda tá vindo como tsunami, estão correndo para improvisar e ninguém sabe o que fazer” relata Gutemberg.

Gutemberg ressalta que a demanda é urgente, pois com a chegada da segunda onda “mais uma vez será usada de argumento para que a incompetência não faça as coisas ou então maquie os dados. Estamos em um momento de excepcionalidade, de uma crise humanitária global, significa dizer que conceitos legislativos, decretos que são válidos em condições normais devem ser revistos em uma situação como essa” enfatiza o presidente do Sindicato.

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