Sobradinho: UPA com poucos médicos e hospital sem próteses

Faltam médicos na equipe da UPA de Sobradinho II. Foi essa a constatação do presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Dr. Gutemberg Fialho, em visita àquela Unidade de Pronto Atendimento na tarde da segunda-feira, 02/08.

De acordo com o Manual de Parâmetros Mínimos da Força de Trabalho para Dimensionamento da Rede, da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), uma UPA do porte da de Sobradinho II deveria ter cinco médicos no período diurno e quatro no noturno. No dia a dia, no entanto, costuma haver somente dois ou três durante o dia e dois à noite.

Poucos médicos e classificação de risco inadequada

Os médicos também se queixam de que pacientes com quadros simples, que deveriam ser atendidos em unidades básicas de saúde, estão sendo classificados como de maior gravidade (classificação laranja na metodologia de classificação de risco da SES-DF) para serem atendidos na unidade.

A antiga orientação de internação máxima por 24 horas em UPAs do DF não é mais seguida. No entanto, relataram os profissionais, o sistema de gerenciamento de leitos apaga diariamente os registros dos pacientes internados. Estes são inseridos como internação no dia seguinte. “É uma situação no mínimo estranha, que pode gerar distorções na interpretação do número de internações. Isso afeta tanto a questão de estatísticas de atendimento quanto de repasses financeiros do SUS”, observa Dr. Gutemberg.

EPIS de má qualidade e equipamentos defeituosos

Também foi relatada má qualidade e baixa oferta de insumos, como equipamentos de proteção individual (luvas, máscaras e capotes) e catéteres (que entortam) usados na UPA. Equipamentos como desfibrilador e laringoscópios apresentam defeitos. O eletrocardiograma usado na sala vermelha é inadequado. Medicamentos, como Pantoprazol e outros de uso corrente, faltam sazonalmente.

Outra queixa é que, desde que foi retirado o gasômetro da UPA, os exames de gasometria (para medir o pH os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue) são feitos fora, muitas vezes com demora prolongada, o que atrapalha a assistência aos pacientes.

Também foi relatado que a equipe médica tem sido alvo de assédio moral por parte de integrante da equipe de enfermagem. O fato será relatado à gerência da UPA e a direção do IGES para as providências cabíveis.

Pacientes ortopédicos sem perspectivas no HRS

Logo após a UPA, o presidente do SindMédico-DF esteve no Hospital de Sobradinho. Com a queda dos casos de internação por covid-19, dois leitos de UTI foram liberados para pacientes cirúrgicos recentemente. No entanto, cirurgias ortopédicas de colocação de próteses não estão sendo feitas. Com muito esforço, os procedimentos estavam sendo realizados pelo Hospital de Base do DF. Não são mais, pela falta de órteses, próteses e materiais especiais nos estoques do HBDF. “Isso implica em aumento do tempo de internação, aumento do risco e da mortalidade de pacientes, em especial os idosos”, alerta Dr. Gutemberg.

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