Tratamento de choque na assistência à saúde da mulher no DF

O Distrito Federal tem uma população de 153.965 mulheres entre 50 e 69 anos – todas deviam fazer uma mamografia a cada dois anos. E, de acordo com dados on-line da Secretaria de Estado de Saúde, até o início de outubro, foram realizadas apenas 2.571 mamografias na rede pública de saúde. Isso, entre outras falhas na assistência à saúde da mulher, motivou o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal a fazer uma campanha diferente este ano: Outubro Rosa Choque, que tem lançamento neste sábado, 16, em evento no Plenário José de Paiva Netto, no ParlaMundi da LBV (915 Sul), às 18h.

A mamografia é um exame de rotina e deve ser realizada a cada dois anos por mulheres nessa faixa etária, segundo protocolos do Ministério da Saúde, e a partir dos 40, de acordo com recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia. De acordo com dados do Datasus, embora o DF tenha 126 mamógrafos, as unidades públicas de saúde locais contam com apenas 11 em funcionamento. Diante da baixa oferta pública do exame, 70% dos casos de câncer de mama são diagnosticados em estágio avançado.

“Os gargalos na atenção à saúde da mulher não começam nem param aí e não se restringem ao câncer de mama. Começam em não se oferecer consulta ginecológica de rotina, até um eventual tratamento de câncer”, alerta o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho. Por isso, além de conscientizar as mulheres, o Outubro Rosa Choque do sindicato chama a atenção para a necessidade de melhor oferta de assistência à mulher no serviço público de saúde.

Além do evento neste sábado, a campanha acontece nas mídias sociais do sindicato e de seu presidente, com depoimentos de mulheres que enfrentaram o câncer, não só o de mama, e informações sobre a oferta de serviços na rede pública de saúde.

Outubro Rosa Choque: Dhi Ribeiro (The Voice Brasil) é madrinha

A cantora Dhi Ribeiro, carioca radicada em Brasília, abraçou a causa e tornou-se a madrinha da campanha Outubro Rosa Choque e será a mestra de cerimônia do evento. Ela mesma conta em vídeo os problemas de saúde que enfrentou. Por causa de uma adenomiose, ela teve que se submeter a uma cirurgia para retirada do útero. Depois passou por mais duas cirurgias em função de um câncer. “Quando você ouve a palavra câncer, imediatamente pensa em morte. A gente fica sem chão”, compartilha a cantora, que superou as doenças com otimismo, força e trabalhando.

“A gente precisa se cuidar. Fazia e faço exames periódicos, descobri no começo da doença e, por isso, estou aqui hoje”, alerta Dhi. Mas para que todas as mulheres possam fazer as consultas e os exames periódicos é preciso que os serviços de saúde funcionem adequadamente. “É importante termos em mente que, no Brasil, 78% da população depende exclusivamente do SUS; por isso, além de conscientizar as mulheres, o Poder Público tem que oferecer as condições de assistência adequadas”, enfatiza o presidente do SindMédico-DF.

População feminina de 50 a 69 anos de idade e mamografias realizadas pelo SUS do DF
AnoMulheres de 50 a691Grupo elegível para o exame2Mamografias feitas3
2018274.929137.4643.135
2019285.860142.9302.510
2020296.707148.3534.623
2021307.930153.9652.571

1 Fonte: IBGE.

2 A mamografia deve ser feita regularmente por mulheres entre 50 e 69 anos a cada dois anos. A estimativa usada foi metade da população feminina fazendo o exame a cada ano.

3 Fonte: Infosaúde – SES-DF (04/10/21).

Outubro Rosa Choque do SindMédico-DF

Lançamento: sábado (16/10), às 18h

Local: Plenário José de Paiva Netto, no ParlaMundi da LBV (SGAS 915 lotes 75/76 Asa Sul)

Atenção: em função da pandemia em curso, a participação do público é limitada.

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