TV SindMédico: existe tratamento precoce para o coronavírus?

Existe tratamento precoce para o coronavírus?

Após anunciar que voltaria aos testes com Hidroxicloroquina para o tratamento do novo coronavírus, no dia 17 deste mês a Organização Mundial da Saúde (OMS), novamente, recuou e suspendeu, em definitivo, os estudos com o medicamento. No entanto, entre especialistas, ainda existe o empasse sobre a efetividade do remédio no tratamento precoce da doença. Afinal de contas, a substância deve ser utilizada ou não para prevenir a evolução da Covid-19? Quais são os protocolos, no DF, para o uso deste medicamento e de outros em pacientes?

Para responder essas e outras perguntas, o SindMédico-DF convidou a médica Carine Petry, médica otorrinolaringologista da SES-DF, idealizadora do Grupo Covid19-DF, e a também médica Alexandra Oliveira de Mesquita, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia do Distrito Federal (SBC-DF), para a TV SindMédico da próxima terça-feira (30), que ocorre a partir das 19h45.

Hoje, segundo a médica Carine Petry, os medicamentos utilizados para uso precoce no tratamento contra o novo coronavírus são: Hidroxicloroquina, Azitromicina, Ivermectina e Nitazoxanida. Ao SindMédico-DF, ela adiantou ainda que “os protocolos da Secretaria de Saúde do DF não contemplam tratamento precoce porque não há ainda na literatura artigos científicos nível A (duplo cego, controlados, randomizados) com essas medicações”.

“A falta de protocolos de tratamento precoce é prejudicial”

Leia a prévia completa da entrevista abaixo:

SindMédico-DF: Por que não existe hoje protocolo para o uso desses medicamentos na SES-DF?

Dra. Carine Petry:  Os protocolos da Secretaria de Saúde do DF não contemplam tratamento precoce porque não há ainda na literatura artigos científicos nível A (duplo cego, controlados, randomizados) com essas medicações.  Também não levam em conta artigos que mostram a fisiopatologia da doença e a farmacocinética de medicações com potencial efeito de ação antiviral. Também não levam em conta estudos que têm algum grau de evidência, mas que são observacionais ou retrospectivos e, principalmente, não levam em conta a experiência de colegas que enfrentaram momentos de colapsos do sistema de saúde e que tiveram que usar medicações mesmo sem a melhor evidência disponível mas que tiveram resultados.

Durante uma pandemia a experiência de colegas é um nível de evidência muito significativo, pois estudos científicos nível A demoram e vidas não esperam .

SindMédico-DF: A Dra. acha a falta desse protocolo prejudicial aos pacientes ou é arriscado um tratamento precoce?

Dra. Carine Petry: Sim, acho que a falta de protocolos de tratamento precoce é prejudicial, pois sempre, na Medicina, falamos em tratar desde o início, evitar que as doenças evoluam.  Na Covid-19, nos primeiros cinco dias de sintomas, é o momento chave que temos para tentar inibir a replicação viral (1ª fase), e tentar fazer com que a doença não evolua para fases graves que necessitem de internação hospitalar e UTI. 

O tratamento precoce não é arriscado uma vez que é feito com medicações que existem há décadas, usadas para tratar doenças como verminoses e malária. Ou seja, medicações conhecidas com as quais os médicos já estão muito familiarizados, de baixo custo e baixa ocorrência de efeitos adversos. 

Não perca! TV SindMédico: próxima terça-feira, 30, a partir das 19h45.

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