Na corrida contra o novo coronavírus, vacinas feitas às pressas, causam preocupação na comunidade científica

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O mundo inteiro acompanha a corrida pelo desenvolvimento de uma vacina para Covid-19. A Rússia anunciou, no dia 11/08, que já tem um modelo pronto e eficaz, apesar dos testes ainda estarem na fase inicial. O presidente Putin, declarou que a primeira vacina foi registrada na Rússia pelo Centro de Pesquisas de Epidemiologia e Microbiologia Nikolai Gamaleya, em Moscou, em associação com o ministério russo da Defesa.

A comunidade científica demonstra um pouco de descrença com a eficácia da vacina, por não terem sido publicados dados científicos que poderiam avaliar e comprovar a eficácia. Para uma vacina ser aprovada, primeiro se iniciam as pesquisas em laboratório e em animais. Logo após entra a fase 1, com experimentos em um pequeno grupo de seres humanos . Em seguida, a fase dois, com um grupo maior de pessoas. E, por último, fase 3, em que a vacina já é aplicada em milhares de pessoas.

 Para o médico infectologista, André Bon Fernandes, é difícil afirmar se há eficácia na vacina da Russia, pelo simples fato de ela não ter tido nenhum dado científico de comprovação, publicado.  “Só tem como afirmar a eficácia de uma vacina, a partir do momento que os dados são apresentados para a comunidade científica e avaliados por outros médicos. Se não há esse tipo de avaliação, fica muito difícil dizer se é ou não eficaz”, afirmou o infectologista.

Mas, mesmo fugindo dos protocolos habituais, o fundo soberano russo envolvido no desenvolvimento da vacina afirma que a fabricação das doses em grande escala, iniciará em setembro e que 20 países já encomendaram mais de um bilhão de doses.

Atualmente, mais de 160 vacinas contra a Covid-19, estão em estudo em todo o mundo. Dessas, apenas seis são consideradas pela a Organização Mundial de Saúde, já em fase 3, e a da Rússia, não é uma delas. São elas: a da Universidade de Oxford, a do Reino Unido; três que estão sendo  desenvolvidas na China; uma dos Estados Unidos; e outra na Alemanha. Três dessas estão sendo testadas no Brasil.

“Temos também outros trabalhos  feitos com muita credibilidade que estão sendo acompanhados e avaliados pela comunidade científica. Existe sim uma uma perspectiva de produção em larga escala, para os próximos meses e para o ano que vem”, declarou André Bon.

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