Variante ômicron: é preciso estar alerta, mas sem pânico

A nova cepa do coronavírus, a B.1.1.529, foi batizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de viriante ômicron. Ela foi descoberta em 11 de novembro de 2021 em Botsuana, que faz fronteira com a África do Sul, onde a cepa também foi encontrada. No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou nesta quinta-feira (2) cinco casos da variante: três em São Paulo e dois no Distrito Federal. São quatro homens e uma mulher, todos vacinados contra a covid-19. Eles estão isolados e pelo menos um apresenta sintomas leves. A maioria está assintomática.

De acordo com o médico infectologista Julival Ribeiro, graduado pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e doutorado em Medicina Tropical pela Universidade de Brasília, o momento é de intensificação das medidas já conhecidas de prevenção ao coronavírus e controle da pandemia. Ribeiro é médico infectologista do Hospital de Base do Distrito Federal e chefia a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar daquela unidade de saúde.

Julival Ribeiro: variante inspira cuidado e já era prevista.

O especialista afirma que não há surpresa no surgimento dessa nova cepa. E explica que as mutações do vírus são esperadas e novas variantes do coronavírus ainda deverão surgir. “Quanto à ômicron, supõe-se que ela seja mais facilmente transmitida do que a variante delta. No entanto, é uma suposição que não está totalmente confirmada. Mas até o momento, não sabemos quais os efeitos da variante, se ela é mais letal ou não, por exemplo”, explica.

Para conter a disseminação da nova cepa do vírus, diversos países, entre eles os EUA, todos os 27 membros da União Europeia (UE) e o Brasil, impuseram restrições à entrada de viajantes com origem na África do Sul e países vizinhos. Os EUA confirmaram que há transmissão comunitária (dentro do território do país) da nova cepa.

É preciso estar alerta

Pesquisadores estão preocupados com o fato de a ômicron conter um número considerado extremamente alto de mutações do coronavírus. Eles encontraram 32 mutações na chamada proteína “spike” (S), que o vírus usa para se prender a células humanas e infectá-las. Na variante delta, considerada altamente infecciosa, foram encontradas oito mutações.

Ao mesmo tempo em que o número de mutações nesta proteína não é uma indicação exata do quão perigosa a variante pode ser, isso sugere que o sistema imunológico humano pode ter maior dificuldade em combater a nova variante. Há indicações de que a ômicron possa escapar das respostas imunológicas do corpo humano.

Quanto à eficácia da vacina diante das mutações, Julival Ribeiro aponta a realização de estudos pelos fabricantes das vacinas. “Existe um temor não comprovado sobre diminuição da efetividade, mas as vacinas ainda são a melhor opção para proteção”, diz. 

“As pessoas não devem agir com pânico. Quem está vacinado, está protegido da melhor forma. Quem não está vacinado, deve procurar se vacinar nos postos de vacinação disponibilizados à população.”

Cuidado sim, pânico não

De acordo com o infectologista, o tráfego aéreo agora deve ser o foco das atenções das autoridades. “Temos de realizar testes genômicos para identificar casos e verificar que tipos de variantes estão chegando ao Brasil, como está sendo feito. Por mais rigidez que tenham as medidas, como vimos, a variante já está aqui”, explica.

“As pessoas não devem agir com pânico. Quem está vacinado, está protegido da melhor forma. Quem não está vacinado, deve procurar se vacinar nos postos de vacinação disponibilizados à população. O grande benefício da vacina é que, caso seja infectado, o paciente apresentará casos leves da doença. Portanto, a vacina é o melhor caminho para a prevenção”, explica.

Além disso, as medidas de prevenção já conhecidas pela população seguem funcionando, como lavar as mãos constantemente, utilizar álcool a 70% para higienizá-las, usar máscaras, manter o distanciamento social e evitar aglomerações. O infectologista Julival Ribeiro afirma que ainda não são muitas as informações confiáveis sobre a variante ômicron, mas que em questão de dias devem ser divulgados dados confiáveis a respeito dessa nova variante do coronavírus.

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